Política

Senado entra em recesso e ainda não inicia tramitação do fim da 6×1

Análise da proposta que reduz jornada para 40 horas semanais pode ficar para depois das eleições de outubro
Senado Federal vazio durante recesso, com Alcolumbre e Teresa Leitão, simbolizando atraso no fim da escala 6x1.

O Congresso Nacional entrou em recesso neste sábado (18) sem que a Proposta de Emenda à Constituição do fim da escala 6×1 tivesse dado qualquer passo formal no Senado.

Aprovado pela Câmara dos Deputados há quase dois meses, o texto que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas segue parado, sem envio à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira etapa da tramitação na Casa.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não sinalizou quando despachará a proposta à CCJ e admitiu que, por causa das eleições, o parlamento só terá sessões relevantes em duas semanas de agosto e início de setembro.

Recesso sem votação da LDO empurra pauta

O recesso parlamentar ocorre oficialmente entre 18 e 31 de julho, conforme prevê a Constituição, quando o Congresso aprova o projeto de lei de diretrizes orçamentárias. Neste ano, como a LDO não foi votada, os parlamentares farão um recesso informal, sem convocação de sessões legislativas.

A situação da PEC do fim da 6×1 não é isolada: como mostrou a Tropiquim, o calendário eleitoral tem esvaziado o Congresso e empurrado pautas sensíveis para depois de outubro, numa lógica que especialistas resumem como “adiar também é uma forma de governar a pauta”.

Alcolumbre acusa pressão do governo

No fim de junho, Alcolumbre classificou a proposta como uma pauta eleitoreira e disse sofrer “ameaça” diante da cobrança de integrantes do governo para votar a matéria antes do pleito. Ele citou o argumento usado contra ele, de que rejeitar a PEC significaria ficar “contra 37 milhões de trabalhadores” que querem um dia a mais de descanso — número que tem origem em levantamento do Ministério do Trabalho sobre celetistas com jornada semanal acima de 41 horas.

Na quarta-feira (15), o senador se reuniu com centrais sindicais e com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), que disse ao g1 acreditar em uma votação ainda antes das eleições de outubro. O novo líder do PT, Camilo Santana, afirmou que vai trabalhar para “distensionar” a relação entre Alcolumbre e o presidente Lula, que não se encontram desde que o Senado rejeitou, em abril, a indicação de Jorge Messias para o STF.

Setor produtivo pede cautela, governo defende impacto social

Em debate promovido pelo Senado no início de julho, representantes do setor produtivo — empresas e entidades que representam empregadores — defenderam cautela na análise da proposta. O presidente da Fecomercio-SP e diretor da CNC, Ivo Dall’Acqua Júnior, afirmou que a mudança pode ter efeitos amplos sobre a economia, avaliação que dialoga com pesquisa da CNI segundo a qual sete em cada dez indústrias esperam perda de competitividade com o fim da escala 6×1.

Do lado do governo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, argumentou que o debate vai além do impacto econômico, citando o aumento de casos de burnout e ansiedade entre trabalhadores e defendendo que a redução da jornada pode elevar a produtividade.

Um estudo do Ipea publicado neste ano estima que o fim da 6×1 elevará em quase 8% o custo médio do trabalho celetista numa jornada de 40 horas semanais, com impacto de 1% no custo operacional da indústria e do comércio — efeito que, segundo a pesquisa, tende a ser absorvido pelo mercado de trabalho ao longo do tempo, como ocorreu com reajustes do salário mínimo. Pela proposta, profissionais com diploma superior que ganham a partir de duas vezes e meia o teto do INSS — cerca de R$ 21,1 mil — ficam fora das novas regras de jornada e controle de ponto.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Instabilidade no 5G da Vivo dispara reclamações em SP

Moraes nega visita de Milei a Bolsonaro na prisão domiciliar

Moraes proíbe visitas políticas a Bolsonaro e Marinho vê ‘silenciamento’

PF aciona Interpol para rastrear patrimônio de Vorcaro no exterior