Política

Presidentes de partido chegam a ganhar R$ 52,5 mil por mês, aponta levantamento

Fundo Partidário, verba majoritariamente pública, pagou 96% dos R$ 2,95 milhões distribuídos a dez dirigentes em 2025
Fachada do TSE com maços de dinheiro em primeiro plano, simbolizando quanto ganha presidente de partido no Brasil.

Levantamento do g1 com base nas prestações de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que partidos políticos pagaram R$ 2,95 milhões a dez presidentes nacionais em 2025.

O maior salário coube a Ovasco Roma Altimari Resende, presidente do PRD, que recebeu R$ 630,5 mil ao longo do ano — o equivalente a R$ 52,5 mil por mês, valor superior ao teto do funcionalismo público.

Quase todo o dinheiro, 96% do total, saiu do Fundo Partidário, verba composta majoritariamente por recursos públicos.

Como os pagamentos são divididos

Os repasses se concentram em duas rubricas: “pessoal”, que soma R$ 1,54 milhão (52,3% do total) e cobre salários, 13º e férias; e “serviços técnico-profissionais”, com R$ 1,41 milhão (47,7%), usada quando o dirigente atua como prestador de serviço pessoa física.

Depois de Ovasco Resende, o segundo maior valor foi pago a José Luiz Penna, presidente do PV, que recebeu R$ 501,4 mil no ano, também integralmente pelo Fundo Partidário. Na sequência aparecem Valdemar Costa Neto (PL), com R$ 404,7 mil, e Eduardo Ribeiro (Novo), com R$ 337 mil.

Sem teto definido em lei

Segundo o advogado eleitoralista Michel Bertoni, não existe uma lei específica que fixe o salário de presidentes de partido, embora as legendas precisem respeitar os limites de gastos previstos na Lei dos Partidos Políticos (nº 9.096/1995). O teto constitucional do funcionalismo público, hoje em R$ 46.366,19 por mês, não se aplica automaticamente aos dirigentes partidários.

A advogada Denise Schlickmann, da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, afirma que a legislação limita a 50% dos recursos do Fundo Partidário as despesas de pessoal das direções nacionais — para diretórios estaduais e municipais, o teto sobe a 60%. Segundo ela, a diferença entre presidentes que recebem e os que não aparecem na lista pode estar ligada às funções exercidas dentro de cada legenda.

Emendas e outros pontos de opacidade

A revelação dos salários milionários pagos pelos partidos vem poucos dias depois de o STF determinar que presidentes de 21 legendas expliquem eventuais cotas de emendas parlamentares, uma cobrança motivada por declarações do próprio Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

Os salários de dirigentes partidários se somam a outro capítulo pouco transparente das finanças da política: levantamento recente mostrou que a Câmara registrou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão atribuídas a líderes partidários sem identificar quem de fato indicou os beneficiários.

O g1 não encontrou pagamentos diretamente associados a 18 dos 30 presidentes nacionais registrados no TSE. Isso não significa, porém, que eles não recebam recursos: despesas podem estar lançadas em nome de empresas, escritórios ou outros fornecedores ligados aos dirigentes — caso do Agir, que pagou R$ 249,2 mil a uma sociedade de advocacia ligada ao presidente Daniel Tourinho.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Instabilidade no 5G da Vivo dispara reclamações em SP

Moraes nega visita de Milei a Bolsonaro na prisão domiciliar

Moraes proíbe visitas políticas a Bolsonaro e Marinho vê ‘silenciamento’

PF aciona Interpol para rastrear patrimônio de Vorcaro no exterior