Um Airbus A321neo da Ibéria, que decolou de Recife (PE) rumo a Madri, e um Boeing 787-9 da Air Europa, em voo de Madri para Guarulhos, em São Paulo, quase se cruzaram no ar em 10 de julho, sobre o Oceano Atlântico, próximo à costa do Saara Ocidental.
O sistema anticolisão TCAS disparou às 01h23 UTC, quando as duas aeronaves foram autorizadas a manter o mesmo nível de voo em sentidos opostos, evitando a colisão com manobras imediatas de subida e descida.
Como o alerta agiu na cabine
De acordo com nota divulgada pela Comissão de Investigação de Acidentes e Incidentes de Aviação Civil da Espanha (CIAIAC) e reproduzida pelo site especializado The Aviation Herald, o Airbus A321 (registro EC-OLE, voo IBE0140) sobrevoava o setor oceânico da FIR/UIR das Ilhas Canárias no nível de voo FL360 quando recebeu, às 01h23 UTC, um alerta de tráfego (TCAS TA) seguido do comando ‘TCAS RA DESCEND’.
Ao mesmo tempo, a tripulação do Boeing 787-9 (registro EC-NBM, voo AEA05) recebeu a instrução oposta, ‘TCAS RA CLIMB’. Cada piloto seguiu a orientação automática do próprio sistema: o Airbus desceu 500 pés até a mensagem ‘LEVEL OFF’ (nivelar), enquanto o Boeing subiu 400 pés até o aviso ‘CLEAR OF CONFLICT’, que indica risco afastado.
O TCAS é obrigatório em aeronaves comerciais de grande porte e funciona de forma independente do controle de tráfego aéreo, calculando trajetórias em tempo real para evitar colisões quando duas aeronaves são autorizadas, por erro humano ou falha de coordenação, a ocupar o mesmo espaço aéreo.
As duas aeronaves prosseguiram viagem sem desvios de rota e pousaram normalmente em seus destinos — o Airbus em Madri e o Boeing em Guarulhos —, sem registro de feridos ou danos materiais. O episódio só veio a público na sexta-feira (17), oito dias depois, quando o The Aviation Herald publicou o relatório baseado na nota da CIAIAC.
Casos como esse reforçam a importância do TCAS como última camada de proteção da aviação comercial, acionada apenas quando as instruções dadas pelo controle de tráfego aéreo falham em manter separação segura entre aeronaves. Para o Brasil, o episódio chama atenção por envolver diretamente um voo internacional com destino a Guarulhos, um dos aeroportos mais movimentados do país.
