Meio ambiente

Pesquisa encontra microplásticos em 100% dos girinos estudados na Amazônia

Estudo da UFPA relaciona as partículas a menor peso corporal dos anfíbios e alerta para risco à cadeia alimentar
Pesquisa revela microplásticos em girinos da Amazônia, ameaça à cadeia alimentar aquática.

Uma pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA) encontrou microplásticos no organismo de todos os 100 girinos analisados na Amazônia, primeiro estudo a documentar esse tipo de contaminação em filhotes de anuros na região.

Os animais da espécie Scinax x-signatus foram coletados em cinco pontos de lagoas do Parque Ecológico do Gunma, em Santa Bárbara do Pará, na região metropolitana de Belém.

Como os plásticos chegam aos filhotes de sapos

Os girinos se alimentam por sucção, processo pelo qual acabam ingerindo partículas presentes na água enquanto acumulam energia para a metamorfose. Segundo a bióloga Fabrielle Barbosa de Araújo, autora principal do estudo, esses animais passam por 46 fases de desenvolvimento, desde o período dentro do ovo até a transformação em adultos — e estão expostos aos microplásticos em todas elas.

A pesquisa também identificou uma associação entre a maior concentração de partículas e o menor peso corporal dos girinos. “Alguns dados disponíveis na literatura científica indicam que os microplásticos podem causar desde alterações no próprio DNA até problemas no desenvolvimento e deformações no intestino e na boca desses animais”, detalha Araújo. Segundo ela, os anfíbios são organismos sensíveis a qualquer alteração ambiental.

Em levantamentos anteriores, a equipe da UFPA já havia identificado microplásticos na pele, nos pulmões e no sistema digestivo de sapos adultos na região amazônica. A contaminação, segundo a pesquisadora, chega ao ambiente por diferentes vias: “Eles podem chegar pelos ventos e pela água da chuva. A região amazônica é altamente contaminada de diversas formas, seja pelo descarte irregular de lixo, seja através do curso dos rios.”

Um problema que também chega à mesa dos brasileiros

Para Araújo, a contaminação identificada nos girinos amazônicos evidencia como os microplásticos já ocupam ambientes considerados remotos. “Nós sabemos que a contaminação por microplásticos é onipresente. Mas, às vezes, imaginamos que essa contaminação não chega em locais mais remotos, e é justamente o contrário”, afirma a bióloga.

A pesquisadora lembra que as cadeias alimentares estão interligadas, o que permite o acúmulo dessas partículas de um organismo para outro. “Outros organismos, como peixes e camarões, que nós consumimos, também estão contaminados com eles”, pontua.

Estudos recentes já detectaram microplásticos em diferentes tecidos do corpo humano, como sangue, placenta, pulmões, fígado e rins. Parte dessas pesquisas associa a presença das partículas a processos de inflamação, alterações no sistema imunológico e lesões celulares — mas ainda faltam evidências mais sólidas que comprovem relação direta com doenças cardiovasculares, pulmonares ou câncer.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
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