Política

Violência de gênero entre adolescentes cresce 600% no Rio de Janeiro

Levantamento inédito mostra agressores cada vez mais jovens e Justiça recorrendo à Lei Maria da Penha
Retrato sombrio de adolescente simboliza aumento da violência de gênero entre adolescentes no Rio

Um levantamento inédito da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, obtido com exclusividade pelo Globo Repórter, revela que os casos de violência de gênero cometidos por adolescentes saltaram de 10 para 72 entre 2019 e 2025 — um aumento de 600%.

Os dados, apresentados nesta sexta-feira (10) em reportagem sobre a chamada machosfera, mostram ainda que os agressores estão cada vez mais novos, com casos que já envolvem meninos de 12 e 13 anos.

Agressores cada vez mais jovens

Segundo a juíza Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e da Juventude do Rio, o perfil dos envolvidos mudou nos últimos anos. Até pouco tempo atrás, os casos concentravam-se em jovens de 16 e 17 anos. Hoje, meninos de apenas 12 e 13 anos já aparecem entre os agressores registrados pelo tribunal.

A magistrada cita um episódio em que um menino de 12 anos quebrou o braço da própria mãe em dois lugares durante uma discussão sobre uso de telas, exemplo do tipo de violência doméstica que tem levado o Judiciário fluminense a agir com mais rigor.

Justiça aplica Lei Maria da Penha a adolescentes

Diante da gravidade dos casos, o tribunal passou a recorrer com mais frequência a medidas protetivas da Lei Maria da Penha, mesmo quando o agressor é menor de idade. Entre as determinações estão a proibição de contato e aproximação da vítima, a restrição de comunicação por redes sociais e, em casos mais graves, a apreensão de celulares e computadores.

A influência da machosfera

O levantamento integra uma reportagem do Globo Repórter que investiga a chamada machosfera, rede de comunidades on-line — entre elas os grupos conhecidos como “red pill” — que difundem discursos de superioridade masculina, incentivam a submissão feminina e relativizam a violência contra mulheres.

Especialistas ouvidos pelo programa apontam que esse conteúdo é impulsionado pelos algoritmos das redes sociais e alcança um público cada vez mais jovem, contribuindo para a normalização de comportamentos violentos entre adolescentes.

O tema dialoga com outra frente de fiscalização no país: a ANPD já notificou 18 plataformas de pornografia, cobrando mecanismos reais de verificação de idade com base no ECA Digital, justamente pela preocupação com o alcance de conteúdo nocivo entre menores. Também há sinais de que restringir o acesso digital nas escolas ajuda: 92% das unidades escolares já adotam a proibição de celulares, medida associada pelos gestores a uma queda nos casos de agressão digital e cyberbullying.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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