Política

Marinha dos EUA anuncia novo bloqueio no Estreito de Ormuz para terça

Trump diz que EUA vão "tomar o controle" do estreito e cobrar por passagem, rompendo trégua com o Irã
Trump anuncia bloqueio no Estreito de Ormuz para pressionar o Irã e controlar rota marítima estratégica

A Marinha dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (13) que vai retomar, a partir da noite de terça-feira (14), o bloqueio naval ao Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico.

O anúncio ocorre horas depois de Donald Trump declarar, em entrevista à Fox News, que os EUA vão “tomar o controle” do estreito e cobrar para garantir a passagem de cargas pela via marítima.

Regras do novo bloqueio

Segundo o comunicado da Marinha americana, o bloqueio vai além do que foi aplicado durante a guerra no Oriente Médio, quando a restrição valia apenas para embarcações iranianas na entrada do estreito. Agora, a força naval dos EUA vai barrar o tráfego de qualquer porto ou terminal de petróleo do Irã ao longo de toda a costa do país. Navios em “trânsito neutro” e cargas humanitárias poderão passar, mas todas as embarcações serão inspecionadas por militares americanos.

Um dia antes do anúncio, um ataque de drone atingiu o navio GFS Galaxy nas proximidades de Ormuz, um dos estopins da escalada que culminou no bloqueio agora restabelecido, como mostrou o Tropiquim.

Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que os EUA serão “os guardiões do estreito” e que deveriam ser “reembolsados” por liberar a via. A fala contradiz o que ele próprio disse em junho, quando negou cobrança de pedágio em Ormuz — pouco depois, em post na rede Truth Social, anunciou 20% de toda a carga que passar pela rota como taxa.

Irã rejeita ingerência dos EUA sobre Ormuz

O comando militar iraniano classificou a fala de Trump como inaceitável e disse que “não permitirá que os EUA intervenham na administração” do estreito. A Guarda Revolucionária reforçou que mantém “autoridade e controle” sobre a via, mesmo diante da nova ofensiva americana.

Segundo Teerã, o Estreito de Ormuz já estava fechado desde sábado (11) — versão negada tanto por Trump quanto pelo comando militar dos EUA na região. O impasse aconteceu depois de os americanos anunciarem ataques contra 140 alvos militares iranianos em 24 horas, somando mais de 300 alvos atingidos em três noites consecutivas, como retaliação a ataques do Irã contra embarcações que cruzam Ormuz.

Neste domingo (12), uma nova rodada de bombardeios americanos teve como objetivo, segundo os militares dos EUA, continuar reduzindo a capacidade iraniana de atacar navios na região — ofensiva que já havia rompido o cessar-fogo firmado em junho, como relatou o Tropiquim. Em resposta, o Irã atacou instalações militares americanas ou pontos estratégicos em Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã.

O bloqueio agora reimposto era um dos pontos suspensos pelo acordo de paz assinado em junho entre EUA e Irã, que previa reabrir a via sem cobranças por 60 dias enquanto Irã, Omã e países do Golfo negociavam a administração futura da rota — cenário que o novo bloqueio reverte, como mostrou o Tropiquim ao noticiar a volta parcial do tráfego naval ao estreito.

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