A Polícia Federal afirma, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a servidora da Câmara Mariângela Fialek, a “Tuca”, tinha “pleno aval” da Presidência da Casa para desviar emendas em favor do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG).
A informação consta no processo que resultou no bloqueio de R$ 6 milhões atribuídos a Cunha, mesma investigação que já havia bloqueado R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Esquema apontado pela PF
Segundo o relatório, “se na primeira etapa da Operação Transparência já se tinha por muito delineada ausência de controle na distribuição desses valores em emendas, o aprofundamento das investigações passou a delimitar situações claras de desvio desses valores a partir da figura de Tuca”. A análise do celular da servidora indicou um arranjo decisório paralelo para destinação de verbas públicas, no qual Cunha, mesmo sem mandato, aparece como “vetor relevante” na definição de emendas.
A indicação de emendas é prerrogativa de deputados e senadores em exercício. Cunha deixou o cargo em 2016, mas a PF apontou que ele “dispõe dos serviços de Mariângela Fialek e da liberalidade política para destinar recursos conforme seus interesses”, o que configuraria indícios do crime de peculato.
A apuração teve Tuca identificada anteriormente como operadora do esquema de emendas de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, também alvo da mesma investigação.
Repercussão e outros bloqueios
Procurada pelo g1, a assessoria da Presidência da Câmara não respondeu até a publicação desta reportagem.
O bloqueio de R$ 6 milhões atribuídos a Cunha havia sido determinado horas antes pelo ministro Flávio Dino, que apontou que o ex-deputado mantinha uma “cota informal” de emendas para Minas Gerais mesmo sem exercer mandato desde 2016, conforme revelado pelo Tropiquim.
Na mesma frente de apuração, a Justiça já havia bloqueado R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto por suspeita de indicação irregular de emendas.
