O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (12) que o Irã havia concordado em abrir mão de armas nucleares como parte de um acordo de paz, horas antes de um ataque de drone atingir uma embarcação no Estreito de Ormuz.
Em entrevista por telefone ao programa Meet the Press, da NBC News, Trump reafirmou que o estreito segue aberto à navegação, segundo o Comando Central dos EUA, mas evitou detalhar a escalada militar na região.
O ataque ao navio GFS Galaxy, perto da Península de Musandam, em Omã, provocou incêndio a bordo e deixou um tripulante desaparecido entre os 24 a bordo.
Irã nega perda de controle sobre Ormuz
Pouco antes da fala de Trump, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA negou que o Estreito de Ormuz estivesse fechado à navegação, como havia anunciado horas antes a Guarda Revolucionária iraniana. Segundo o comando militar, responsável pelas operações dos EUA no Oriente Médio, Ásia Central e partes do Sul da Ásia, o Irã “não está no controle da rota” e as forças norte-americanas seguem posicionadas para garantir a liberdade de navegação.
A Guarda Revolucionária confirmou ter disparado tiros de advertência contra embarcações antes de anunciar o suposto fechamento do estreito. Segundo a agência britânica UKMTO, o ataque ocorreu a cerca de 17 km a leste da Península de Musandam, território de Omã, atingindo o navio GFS Galaxy. Autoridades omanis informaram que 23 dos 24 tripulantes foram resgatados após abandonarem a embarcação em um bote salva-vidas; a busca pelo desaparecido continua.
Na madrugada deste domingo, o comando dos EUA anunciou uma nova ofensiva contra 140 alvos militares no território iraniano, elevando para mais de 300 o total de alvos atingidos em três noites consecutivas de ataques.
Irã ataca alvos dos EUA em quatro países do Golfo
Em resposta, o Irã atacou alvos ligados aos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar e Jordânia. Autoridades emiradenses informaram ter interceptado mísseis e drones, mas depois esclareceram que as ameaças foram detectadas fora das fronteiras do país; sirenes de alerta soaram no Bahrein. O Catar confirmou a interceptação de mísseis e relatou três feridos, incluindo uma criança, atingidos por estilhaços, classificando a ofensiva iraniana como uma “grave escalada”. Na Jordânia, três mísseis causaram danos materiais leves, sem vítimas.
Agências de notícias iranianas Mehr e Tasnim, citando autoridade local, relataram a morte de um soldado durante a ofensiva americana. A mídia estatal do Irã também noticiou explosões em Bandar Abbas, Sirik, Jask, na ilha de Qeshm e na província do Khuzistão, sem relatos imediatos de vítimas.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, que atua como mediador, pediu que ambos os lados “exercessem moderação”. No sábado, antes dos ataques ao Golfo, Irã e Omã haviam negociado a gestão do tráfego em Ormuz, com participação de uma delegação do Catar — mesmo país mediador que já havia articulado a promessa de Trump de reabrir o estreito e obter a renúncia iraniana às armas nucleares em um acordo anunciado ainda em junho.
A escalada atual repete o padrão registrado em 26 de junho, quando os EUA bombardearam pela primeira vez posições iranianas em Ormuz após acusar Teerã de violar o cessar-fogo firmado em 17 de junho — mesmo memorando que estabeleceu um prazo de 60 dias para uma solução definitiva e que, segundo Trump, já estava “acabado” desde a quarta-feira (8), quando ele prometeu um “grande ataque” ao país.
