Uma carta de apoio escrita por Jair Bolsonaro ao filho Flávio, lida em transmissão ao vivo neste sábado (11), levou o PT a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a revogação da prisão domiciliar do ex-presidente.
No texto, Bolsonaro declara Flávio seu pré-candidato e porta-voz, recado interpretado como resposta à esposa, Michelle Bolsonaro, que soube do episódio pelas redes sociais e ficou incomodada.
PT pede revogação da domiciliar
Horas após Flávio divulgar a carta, o vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), protocolou recurso no STF alegando que Jair Bolsonaro descumpriu deliberadamente as condições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes ao redigir um texto de conteúdo político-eleitoral.
“O que houve foi uma violação deliberada de uma ordem expressa do Supremo. Bolsonaro transformou a prisão domiciliar em instrumento de comunicação eleitoral e Flávio assumiu publicamente o papel de intermediário dessa burla”, afirma Lindbergh Farias.
O prazo da domiciliar já havia sido alvo de disputa recente: como mostrou o Tropiquim, a defesa pediu prorrogação a Moraes às vésperas do vencimento do benefício, concedido em março por razões de saúde.
Reação de pré-candidatos
A carta também irritou adversários internos do campo bolsonarista. O pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, chamou o episódio de sinal de “extrema fragilidade” na campanha de Flávio. Já Renan Santos, do Missões, classificou a carta de “ridícula” e disse que Flávio agiu como “criança” que recorre ao pai após reprimenda da madrasta.
Michelle Bolsonaro não estava em casa quando Flávio visitou o pai — participava de um encontro religioso e só soube da carta pelas redes sociais. Aliadas da ex-primeira-dama afirmam que o texto não ajuda a reconciliação familiar e, ao contrário, aprofunda a divisão.
Segundo essas aliadas, Michelle está preocupada com o risco de a prisão domiciliar ser revogada por Moraes, o que levaria o marido de volta ao regime fechado na Papuda. A tensão em torno do cumprimento das condições não é nova: no início do mês, a Polícia Federal já havia feito buscas na casa do ex-presidente, e Flávio chegou a chamar a ação de “cortina de fumaça”.
Já aliados de Flávio e Jair Bolsonaro reagiram ao recurso do PT lembrando que Lula atuou politicamente durante sua prisão em 2018, dando entrevistas e divulgando cartas de orientação à campanha. “Por que Lula podia e Bolsonaro não pode”, questiona um aliado do ex-presidente.
