Uma expressão que circula nos bastidores da investigação sobre o Banco Master resume o estágio atual do caso: a instituição não seria apenas uma organização criminosa — seria uma “máfia fantasiada de banco”.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero para apurar ações coordenadas em redes sociais voltadas a comprometer a credibilidade do Banco Central.
Paralelamente, a PF investiga a atuação de grupo dedicado a intimidar jornalistas, monitorar pessoas ligadas a autoridades e obter informações sigilosas de forma irregular.
Estrutura corporativa do crime
A comparação com uma máfia ganha força à medida que avança a análise do material apreendido. A percepção predominante entre os investigadores é a de que o esquema operava com alto grau de profissionalização — funções claramente definidas, divisão de responsabilidades e uma lógica operacional típica de uma grande empresa.
Os celulares apreendidos se tornaram um “mapa do crime” dessa engrenagem. O conteúdo encontrado teria permitido reconstruir diferentes frentes de atuação e até identificar planos que jamais chegaram a ser executados.
Esse padrão se conecta ao que veio à tona em fases anteriores. O “Projeto DV” — campanha paga batizada com as iniciais do próprio Vorcaro — contratava influenciadores com contratos sigilosos e previa multas de R$ 800 mil por vazamento, exatamente o tipo de profissionalização que os investigadores hoje descrevem como marca registrada do esquema.
A 10ª fase chega menos de três semanas depois da 9ª, que expandiu a investigação para além do setor privado ao mirar um agente público — um ritmo que reforça a avaliação de que o material já reunido é suficiente para avançar sem depender da colaboração do investigado.
Delação praticamente descartada
A proposta de acordo de Vorcaro foi rejeitada duas vezes. Em ambas as ocasiões, os investigadores avaliaram que as informações oferecidas não acrescentavam elementos relevantes ao que já havia sido descoberto por conta própria.
Além disso, os investigadores concluíram que o empresário não assumia responsabilidade pelos fatos investigados nem reconhecia a existência de crimes — condição considerada mínima para qualquer negociação.
Desde a segunda rejeição, a suspeita era de que Vorcaro estaria protegendo pessoas de seu círculo próximo. Esse mesmo raciocínio sustenta hoje a avaliação de que o caminho do acordo está praticamente fechado.
Integrantes da apuração comparam o volume de evidências ao de grandes investigações nacionais, como a Lava Jato. A tese é que as provas já acumuladas permitem avançar sem depender da colaboração do investigado. A defesa de Vorcaro segue buscando alternativas para reabrir essa possibilidade, mas a perspectiva, por ora, é de porta fechada.
