O PSDB confirmou nesta quinta-feira (9) que não terá candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi selada após o deputado federal Aécio Neves (MG), presidente da sigla, descartar a corrida ao Planalto em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na véspera.
Os motivos não foram divulgados pelo partido.
A confirmação veio um dia após Aécio Neves declarar publicamente que não concorreria à Presidência. O PSDB acrescentou que não indicará nenhum outro nome para a disputa — a sigla ficará inteiramente de fora da corrida presidencial em 2026.
A saída de Aécio esvazia uma articulação que tomou forma em maio deste ano. Foi o Cidadania — parceiro na federação que inclui também o Solidariedade — que propôs a pré-candidatura do deputado mineiro. O nome chegou a receber apoio do diretório paulista do PSDB.
Ciro Gomes, que havia descartado concorrer à Presidência, também endossou o nome de Aécio Neves. O ex-candidato presidencial acabou lançando sua própria pré-candidatura — desta vez ao governo do Ceará, pelo mesmo partido do tucano.
A retirada deixa o campo da terceira via com uma lacuna relevante: o PSDB, uma das siglas históricas da política nacional, não disputará o principal cargo do Executivo federal pelo menos neste ciclo eleitoral.
Trajetória de Aécio Neves
Aécio Neves da Cunha iniciou na política com raízes familiares diretas: foi assessor do avô Tancredo Neves durante o governo de Minas Gerais e na campanha presidencial de 1985. Filiado ao PSDB, foi eleito deputado federal por Minas Gerais em quatro mandatos consecutivos a partir de 1986. Em 2001, durante o quarto mandato, presidiu a Câmara dos Deputados.
Em 2002, venceu a eleição para governador de Minas no primeiro turno e se reelegeu com o mesmo desempenho em 2006. Quatro anos depois, renunciou ao cargo para disputar o Senado — e ganhou. Assumiu a presidência nacional do PSDB pela primeira vez em 2013.
A disputa de 2014
Seu momento de maior projeção veio nas eleições de 2014, quando disputou a Presidência pelo PSDB ao lado do senador Aloysio Nunes como vice. A candidatura se posicionou como principal oposição ao governo de Dilma Rousseff (PT), com críticas à condução da economia e propostas de gestão fiscal baseadas no modelo implementado em Minas Gerais.
Aécio avançou ao segundo turno em segundo lugar. A disputa final foi marcada por intensa polarização: Dilma foi reeleita com 51,64% dos votos válidos contra 48,36% de Aécio — pouco mais de 51 milhões de votos no total.
