Donald Trump declarou nesta quarta-feira (8) que o acordo de paz com o Irã está encerrado, após nova troca de ataques entre os dois países violar o cessar-fogo firmado no fim de junho.
A declaração foi feita em coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, e provocou queda generalizada nas bolsas globais e alta de mais de 5% no preço do petróleo.
O risco de interrupção no Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo — é o principal fator por trás da disparada nos preços da commodity.
Na madrugada desta quarta, os EUA bombardearam alvos no sul do Irã após acusarem Teerã de atacar três navios comerciais no Estreito de Ormuz. O Irã respondeu com ataques contra bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait, declarando que a ofensiva americana havia violado o entendimento de paz.
Horas depois, em Ancara, Trump afirmou que o acordo está encerrado e disse não pretender retomar o diálogo com o governo iraniano.
Mercados em colapso
O dólar se valorizou com a busca por ativos seguros. O índice DXY atingiu 101,17 pontos, maior patamar em cerca de uma semana. Em Wall Street, os futuros operam em queda, alimentados pelo receio de que a alta do petróleo pressione a inflação e adie cortes de juros pelo Federal Reserve.
Na Europa, o STOXX 600 recuava cerca de 1,6%, caminhando para o pior desempenho diário desde março. Setores de consumo, turismo e tecnologia lideram as perdas, enquanto ações de petroleiras avançam com o barril em alta.
Na Ásia, o desempenho foi misto. Hong Kong se destacou: o Hang Seng subiu 2,99%, impulsionado pela Alibaba, que avançou 12,2% e levou o índice de tecnologia local a cerca de 5%. Taiwan ganhou 0,56% e Cingapura, 0,51%, enquanto a Austrália recuou 0,21%.
O mesmo acordo que havia feito o petróleo recuar 4% em meados de junho — quando Trump celebrou “deixem o petróleo fluir!” — é o que o presidente agora declara encerrado. Os primeiros sinais de fragilidade já haviam surgido em 19 de junho, quando o cancelamento das negociações em Genebra fez os preços voltarem a subir e renovou a cautela nos mercados.
A economia global ainda não havia absorvido o choque do conflito anterior — com o barril chegando a US$ 120 e a inflação americana em 4,2% — quando os dois países voltaram a trocar ataques, desfazendo em horas o que meses de diplomacia haviam construído.
A retomada das hostilidades reverte a estabilidade trazida pelo cessar-fogo e reabre incertezas sobre o fornecimento global de energia. O Estreito de Ormuz, que concentra cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, volta ao centro das atenções geopolíticas.
A preocupação com a inflação é dupla: além do impacto direto nos custos de energia, a alta do petróleo tende a se propagar por toda a cadeia produtiva global, reduzindo o espaço para bancos centrais — especialmente o Federal Reserve — cortarem juros. Isso pesa sobre o crescimento econômico e sobre os mercados de ações em geral.
O fato de Trump ter feito o anúncio em Ancara sublinha a dimensão geopolítica da crise, que vai além de um desentendimento bilateral e coloca em xeque os esforços diplomáticos de países mediadores como a Turquia.
