O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) que planeja lançar um “grande ataque” contra o Irã ainda à noite, antes de uma reunião de cúpula da Otan na Turquia.
A declaração ocorre em meio à retomada de bombardeios mútuos entre os dois países, que colocou em colapso o acordo de paz preliminar assinado em junho.
Trump revelou que a Ilha de Kharg — responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano — foi alvo dos ataques americanos na véspera, mas afirmou ter ordenado expressamente que os reservatórios não fossem tocados.
A escalada teve início na noite de terça-feira (7), quando o Comando Central dos EUA lançou uma ofensiva contra o sul do Irã após acusar o país de atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz. Trump afirmou que o Irã afundou 28 embarcações nessa terça.
Em resposta, Teerã classificou os bombardeios americanos como uma “clara violação” do acordo de paz e lançou ataques retaliatórios contra bases dos EUA no Bahrein e no Kuwait na madrugada desta quarta. O ataque iraniano contra esses alvos não é novidade: no fim de junho, o Irã já havia lançado mísseis contra as mesmas bases durante o colapso do segundo cessar-fogo.
Ambos os países abrigam infraestrutura militar americana estratégica: o Bahrein é sede da 5ª Frota da Marinha dos EUA, enquanto o Kuwait serve de quartel-general para as forças do Exército americano na região. Os dois governos acionaram alertas de mísseis para a população na manhã desta quarta.
Trump oscila entre ameaça e cautela
Ao longo da quarta-feira, Trump oscilou entre o confronto e a dúvida. Mais cedo, declarou aos repórteres que o acordo com Teerã “acabou” e que não quer mais diálogo. Horas depois, antes de encontro bilateral com o presidente da Ucrânia, amenizou o tom e disse não ter “certeza se o acordo vai se manter”.
Na cúpula da Otan, Trump afirmou que o bloqueio americano ao Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto do petróleo mundial — pode ser retomado diante da retomada dos ataques. Os países da aliança concordaram em enviar embarcações caça-minas para ajudar a liberar a rota.
A Ilha de Kharg já havia sido apontada por Trump em junho como alvo preferencial de sua estratégia de controle sobre o petróleo iraniano — o mesmo modelo aplicado à Venezuela após a queda de Maduro. Desta vez, no entanto, o presidente afirmou ter dado ordem para poupar os reservatórios, numa sinalização de que o objetivo é pressionar Teerã, não destruir sua capacidade produtiva.
A postura reforça a lógica de usar o petróleo como instrumento de pressão geopolítica: atacar a logística de escoamento sem eliminar os ativos preserva margem para negociação — ou para eventual controle direto sobre a infraestrutura energética iraniana.
A turbulência nos mercados globais acompanhou as declarações. O risco de interrupção no Estreito de Ormuz tem sido o principal motor da volatilidade em commodities e bolsas desde a retomada dos conflitos nas últimas semanas.
Por enquanto, os dois países seguem formalmente dentro do cessar-fogo firmado em junho — mas a sequência de ataques e contra-ataques das últimas 24 horas indica que o acordo pende por um fio.
