A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quarta-feira (1º) que sua carteira de crédito habitacional ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão — crescimento de 14,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado é fruto de uma expansão acelerada nos últimos seis anos: em junho de 2020, o estoque era de R$ 483,6 bilhões. Desde então, o banco incorporou cerca de R$ 516 bilhões em novos financiamentos, mais que dobrando a carteira em pouco mais de meia década.
O motor por trás do crescimento é o programa Minha Casa, Minha Vida, que sozinho responde por 58,4% da carteira habitacional da Caixa. O MCMV contempla famílias em diferentes faixas de renda e é o principal vetor de demanda por financiamento público no Brasil.
Os dados do primeiro trimestre de 2026 revelam a dependência do setor em relação ao Fundo de Garantia. Entre janeiro e março, a Caixa liberou R$ 64,2 bilhões em crédito habitacional — dos quais R$ 38,6 bilhões vieram do FGTS e R$ 25,6 bilhões de recursos próprios do banco. Na prática, aproximadamente 60% de todo o volume financiado no período saiu do fundo.
FGTS ampliado para mais contratos desde outubro de 2025
Em outubro de 2025, o governo federal passou a autorizar o uso do saldo do FGTS para auxiliar mutuários que financiaram imóveis entre 2021 e 2025, em contratos de até R$ 2,25 milhões. A medida se soma a uma permissão já vigente desde 2009 — quando o fundo foi liberado para compor entrada, abater saldo devedor ou quitar parcelas no âmbito do MCMV.
Com o alcance ampliado, mais famílias passaram a ter acesso a condições diferenciadas de pagamento, o que contribui para sustentar o ritmo de novas concessões e reduzir a pressão de inadimplência sobre o estoque.
O avanço da carteira habitacional da Caixa se insere em um contexto macroeconômico favorável ao crédito subsidiado. O Banco Central identificou os estímulos creditícios do governo — incluindo linhas voltadas à habitação — como um dos fatores que o levaram a revisar a projeção do PIB de 1,6% para 2% em 2026. Em escala, o crédito imobiliário aquece a construção civil, o emprego formal e toda a cadeia de fornecedores do setor.
A trajetória dos últimos seis anos revela uma aposta estrutural do Estado no financiamento da moradia. De R$ 483,6 bilhões em junho de 2020 ao trilhão atual, o crescimento acumulado de 107% reflete tanto o aumento da demanda por habitação quanto o papel crescente dos recursos públicos na viabilização dos contratos.
Para as famílias, o impacto prático é o acesso a taxas subsidiadas em um ambiente de juros elevados na economia privada. A combinação entre FGTS e Minha Casa, Minha Vida cria uma alternativa ao mercado convencional e mantém a demanda aquecida mesmo com a Selic em patamar restritivo.
