A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (1º de julho), a terceira fase da Operação Rent a Car, que apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa.
Os alvos desta etapa são pessoas do círculo do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados. O parlamentar não figura entre os investigados desta fase, mas já foi alvo em etapa anterior.
Diligências foram cumpridas no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais, com medidas judiciais autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O foco desta fase é apurar a versão apresentada por Cavalcante sobre mais de R$ 400 mil em dinheiro vivo encontrados pela PF, em dezembro do ano passado, em um endereço vinculado ao deputado. O parlamentar atribuiu os recursos à venda de um imóvel, mas a PF suspeita dessa explicação e busca novos elementos para aprofundar as apurações sobre a origem e a destinação dos valores.
Esquema com cota parlamentar
Nas fases anteriores, investigadores identificaram indícios de irregularidades na contratação de empresa de locação de veículos com recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). Além de Sóstenes Cavalcante, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de mandados de busca e apreensão.
As investigações apontam a possível participação de agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de verbas públicas. A fase atual aprofunda as apurações sobre a destinação desses recursos.
A PF também identificou indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode configurar fraude processual — crime que integra o escopo da investigação ao lado de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Esta terceira fase sinaliza uma mudança de estratégia: em vez de ampliar o número de alvos, o objetivo é consolidar provas sobre um ponto específico — a origem do dinheiro vivo encontrado em dezembro. O movimento indica que a apuração avança para uma etapa mais conclusiva.
A Operação Rent a Car recebeu esse nome em referência ao suposto esquema de locação de veículos custeado com verba parlamentar. Cada nova fase tem aprofundado as suspeitas sobre o uso irregular de recursos públicos por integrantes do PL fluminense.
