Brasileiros poderão entrar na Guiana Francesa sem visto a partir de 1º de agosto, após Brasil e França oficializarem o acordo nesta quarta-feira (1º) no Palácio Itamaraty, em Brasília.
O chanceler Mauro Vieira e seu homólogo francês Jean-Noël Barrot assinaram os documentos que encerram 16 anos de debate em torno da reciprocidade — turistas franceses nunca precisaram de visto para entrar no Brasil.
O que muda para quem vive na fronteira
O Amapá é o único estado brasileiro que faz fronteira com a Guiana Francesa, território ultramarino da França. A região concentra cerca de 32 mil habitantes: em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, vivem 26,6 mil pessoas; do outro lado do Rio Oiapoque, em Saint Georges, são aproximadamente 3 mil moradores. As duas cidades são unidas pela Ponte Binacional, construída em cooperação entre os dois países.
Para os moradores da região, o impacto prático é direto. Antes do acordo, quem quisesse atravessar para o lado francês precisava se deslocar até Brasília para obter o visto na embaixada da França. A isenção equipara o tratamento dado aos viajantes brasileiros ao que os franceses já recebem no Brasil há décadas.
Autoridades locais avaliam a medida como positiva para o comércio, o turismo e as relações culturais entre os dois lados da fronteira.
Segurança e histórico diplomático
Além do visto, a cerimônia no Itamaraty incluiu a assinatura de instrumentos de cooperação em segurança. Os acordos preveem ações conjuntas para combater o narcotráfico, o garimpo ilegal, a imigração irregular e o crime organizado na região fronteiriça entre o Amapá e a Guiana Francesa.
A cerimônia contou com a presença do governador do Amapá Clécio Luís e do senador Randolfe Rodrigues, além dos dois chanceleres, reforçando o caráter local e federal da iniciativa.
O anúncio inicial havia sido feito em maio de 2025, em Paris, pelo presidente francês Emmanuel Macron. A implementação agendada para agosto fecha um ciclo diplomático que se arrastava por mais de uma década e meia — período em que brasileiros precisavam enfrentar a burocracia consular enquanto franceses entravam no país livremente.
