A Petrobras aprovou nesta terça-feira (30) um novo mecanismo para calcular o preço do gás natural vendido às distribuidoras estaduais, capaz de reduzir o reajuste previsto para 1º de agosto de 22% para até 6%.
O modelo ancora a cotação em uma faixa de valores para o petróleo Brent, estabelecendo limites mínimo e máximo para conter o impacto das oscilações do mercado internacional sobre o preço do insumo.
A adesão é opcional: o novo cálculo valerá somente para as distribuidoras que firmarem aditivos aos contratos de fornecimento vigentes.
Como funciona o novo mecanismo
O modelo aprovado pela Petrobras cria uma faixa de cotação para o barril de petróleo Brent. Dentro desse intervalo, o preço do gás natural segue o mercado normalmente; fora dele, o valor fica ancorado nos limites definidos pela estatal, impedindo que altas abruptas no exterior se transmitam integralmente às distribuidoras.
O novo cálculo ancora o gás à mesma referência que despencou 4% em meados de junho, quando o acordo de paz entre EUA e Irã sinalizou a reabertura do Estreito de Ormuz e a normalização da oferta global de petróleo.
O último reajuste aplicado pela Petrobras às distribuidoras ocorreu em 1º de maio, quando os preços subiram 19,2%. A alta foi atribuída pela empresa à disparada do petróleo após o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro.
Pressão política em ano eleitoral
A medida foi anunciada após o governo federal lançar programas de subvenção para diferentes combustíveis com o objetivo de conter o impacto da alta dos preços internacionais sobre a inflação brasileira — com eleições presidenciais no horizonte.
A decisão da Petrobras surge em meio à revisão do arsenal de subsídios montado pelo governo Lula, que em junho já sinalizava encerrar as subvenções a combustíveis caso o acordo de paz entre EUA e Irã sustentasse a queda do petróleo.
Para o consumidor final, porém, a redução do reajuste não significa necessariamente queda na conta do gás. A Petrobras ressaltou que o preço pago no fim da cadeia depende também dos custos de transporte, das margens das distribuidoras e dos postos de GNV, além dos tributos federais e estaduais. As tarifas ao consumidor são reguladas pelas agências estaduais, conforme a legislação de cada estado.
