A arrecadação do governo federal atingiu R$ 266,8 bilhões em maio de 2026 — o maior valor já registrado para o mês em toda a série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995.
O resultado representa crescimento real de 10,7% em relação a maio do ano passado. Três fatores explicam o salto: a valorização do petróleo no mercado internacional, o crescimento da economia brasileira e os aumentos de impostos adotados pelo governo Lula nos últimos anos.
A guerra entre Estados Unidos e Irã empurrou o preço do petróleo para cima no mercado global — e os efeitos chegaram direto ao caixa do governo. Somente as receitas ligadas ao produto somaram mais de R$ 13 bilhões adicionais em maio: a extração gerou R$ 8 bilhões a mais, as receitas não administradas — que incluem royalties, concessões e compensações financeiras pela exploração de recursos naturais — avançaram R$ 4,1 bilhões, e o imposto de exportação sobre o petróleo arrecadou R$ 1,05 bilhão.
O governo também estabeleceu uma taxação extra sobre exportações do produto, o que reforçou o resultado. Segundo a Receita Federal, a conjunção entre o choque externo e o crescimento da economia doméstica ampliou a base tributável e elevou a arrecadação de tributos tradicionais.
No acumulado de janeiro a maio, a arrecadação federal somou R$ 1,34 trilhão — alta real de 6,42% sobre o mesmo período de 2025, quando foram arrecadados R$ 1,26 trilhão. O montante também é recorde histórico para os cinco primeiros meses do ano.
O resultado de maio confirma uma tendência que vinha se consolidando: em abril, o governo federal já havia registrado o melhor superávit primário para o mês desde 2022, também sustentado pelo crescimento da arrecadação acima das despesas — e pela mesma combinação de expansão econômica e aumentos de impostos do governo Lula.
Meta fiscal de 2026
O governo espera que o desempenho da arrecadação contribua para o cumprimento da meta fiscal em 2026. O objetivo é fechar o ano com superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões.
A regra fiscal prevê, no entanto, uma margem de flexibilidade: o Executivo pode excluir do cálculo até R$ 57,8 bilhões em despesas, incluindo o pagamento de precatórios — gastos com sentenças judiciais que pesam sobre o orçamento federal.
Apesar da arrecadação em alta, as contas públicas seguem sob pressão: em abril, mesmo com superávit primário, a dívida pública avançou para 80,4% do PIB — reflexo do peso dos juros e do uso de recursos para quitação de precatórios, instrumento que o governo também prevê acionar em 2026.
