O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quinta-feira (25) a transferência de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para uma cela na Papudinha, ala do Complexo da Papuda em Brasília. O prazo é de 24 horas.
Preso desde março na sede da Polícia Federal em Brasília, Vorcaro havia sido autorizado a permanecer no local para facilitar o contato com seus advogados durante as tratativas de delação premiada.
As duas propostas da defesa foram rejeitadas. PF e Ministério Público avaliaram que as informações oferecidas pouco avançavam sobre o que já havia sido apurado nas investigações.
Por que a transferência foi determinada
Com as negociações de colaboração premiada encerradas sem acordo, a Polícia Federal formalizou o pedido de transferência ao STF. O argumento: a Superintendência da PF em Brasília dispõe apenas de celas para presos de passagem, condição incompatível com a situação de Vorcaro, que cumpre prisão preventiva — sem prazo determinado de encerramento.
Há 13 dias, a PF já havia formalizado o pedido de transferência ao STF — argumento que Mendonça acatou nesta quinta ao determinar a ida de Vorcaro à Papudinha, conforme noticiado pelo Tropiquim.
Outra circunstância que explica a escolha da Papudinha é a presença de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), na mesma ala do complexo penal. Costa também é alvo da Operação Compliance Zero e, assim como Vorcaro, responde às investigações conduzidas pela Polícia Federal.
O PGR Paulo Gonet havia deixado nas mãos do ministro Mendonça a definição do novo endereço de Vorcaro, ao rejeitar tanto a prisão domiciliar quanto a segunda proposta de delação, como o Tropiquim havia relatado.
Monitoramento e investigação
No mesmo despacho, Mendonça determinou que a direção da Papudinha comunique imediatamente ao STF qualquer “episódio de ameaça, intimidação, constrangimento, coação ou tentativa de interferência” relacionado a Vorcaro ou a outros presos da Compliance Zero. A medida evidencia a preocupação do tribunal com a integridade das apurações diante da proximidade entre investigados da mesma operação.
A presença de Paulo Henrique Costa na ala já havia sido apontada como um complicador técnico — agora Mendonça determina vigilância ativa sobre qualquer episódio de interferência entre os investigados, como o Tropiquim havia antecipado.
O esquema investigado
Vorcaro é alvo central da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal aponta que ele teria liderado um esquema de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção, com uso de táticas de intimidação, coerção e invasão de dispositivos informáticos.
As investigações apontam que o Banco Master teve seu valor artificialmente inflado por meio de carteiras de crédito falsas avaliadas em R$ 12 bilhões — usadas para registrar patrimônio inexistente nos balanços da instituição.
