A Procuradoria-Geral da República tem até esta quarta-feira (17) para enviar ao STF dois pareceres que devem selar o destino do banqueiro Daniel Vorcaro: um sobre a delação premiada — cuja negativa é dada como certa — e outro sobre o local onde ele deverá permanecer preso.
Os documentos serão encaminhados ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso, em meio a um impasse concreto: não existe, até agora, uma solução simples para o paradeiro do empresário.
Pareceres da PGR podem chegar ainda nesta segunda-feira
Internamente, a PGR trabalha com o envio dos dois pareceres até quarta-feira (17), mas existe a possibilidade de que as manifestações sejam protocoladas ainda nesta segunda (15). A cautela com o prazo reflete o volume de trabalho: são dois documentos distintos que precisam ser elaborados em paralelo.
O segundo parecer — sobre o local de prisão — deve ser de natureza eminentemente técnica. A sinalização é de que a PGR vai reconhecer a competência do próprio ministro Mendonça para definir o destino mais adequado, sem apontar uma preferência.
Na quinta-feira passada, a Polícia Federal já havia rejeitado formalmente a segunda proposta de delação e pedido a transferência de Vorcaro de volta ao Complexo da Papuda — decisão que agora aguarda o parecer da PGR e a deliberação do ministro André Mendonça.
O dilema da Papuda
A PF quer que Vorcaro vá para o complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. Mas a escolha não é simples. Em cela comum, o banqueiro enfrentaria riscos à sua integridade física — uma preocupação de segurança reconhecida pelos investigadores. A alternativa seria a chamada Papudinha, ala destinada a presos com perfil diferenciado.
O problema é que a Papudinha já abriga Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, também investigado no mesmo contexto. O espaço é pequeno e o regramento proíbe contato entre investigados do mesmo caso — o que torna a coabitação inviável.
A defesa de Vorcaro pleiteia a prisão domiciliar, mas a estratégia esbarra em um precedente desfavorável: André Mendonça tem sistematicamente negado pedidos semelhantes de outros investigados no caso, e a tendência é que o mesmo entendimento seja aplicado ao banqueiro.
Desde maio, quando a primeira proposta de colaboração foi recusada, a defesa já tentava viabilizar a Papudinha como alternativa — como o Tropiquim noticiou à época. Com a segunda delação também rejeitada pela PF e a negativa da PGR a caminho, as opções de Vorcaro se estreitam consideravelmente.
Dez dias atrás, quando PF e PGR ainda analisavam o segundo complemento da proposta, a avaliação interna já apontava que o material não trazia fatos substancialmente novos — prognóstico que agora se confirma. Com as duas frentes fechadas, a decisão final sobre onde Vorcaro ficará preso recai inteiramente sobre o ministro André Mendonça.
