O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista ao Axios, divulgada nesta sexta-feira (19), que o presidente Lula é “muito volátil” — e que não poderia “se importar menos” com o líder brasileiro.
A declaração aprofunda um afastamento que se acumulou nas últimas semanas entre os dois governos, marcado por um novo tarifaço americano sobre produtos brasileiros e pela designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA.
Em entrevista ao Axios, Trump foi questionado sobre sua definição de grandes líderes mundiais e trouxe Lula como contraste negativo — logo após elogiar a estabilidade de Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia há mais de 12 anos.
“Eu observei o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos. Ele é uma pessoa muito volátil”, disse Trump. Questionado diretamente se era fã do brasileiro, o americano respondeu: “Não se trata de ser fã ou não ser fã. Para ser sincero, eu não penso nele. Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos.”
Trump acrescentou ter assistido a um discurso de Lula que considerou “muito volátil”, ressalvando apenas que “existem todos os tipos de pessoas”.
Encontro no G7
A entrevista ao Axios foi publicada poucos dias após o encontro entre os dois presidentes na cúpula do G7, em Évian, na França. Na ocasião, Trump já havia classificado o Brasil como “país politicamente difícil” e afirmado ter conversado com Lula — sem revelar o conteúdo do diálogo.
O afastamento se intensificou com o anúncio de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros e com a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos — movimentos que irritaram o governo Lula nas últimas semanas.
Lula havia respondido no mesmo tom ao deixar o G7: disse que Trump “fala muito e ouve pouco” e que o americano “não conhece o Brasil” — justificando a ausência de reunião bilateral por estarem os dois países em fase de negociações.
O distanciamento, porém, tem raízes mais antigas. Em junho, o governo brasileiro foi surpreendido pelo anúncio de sobretaxas americanas sobre produtos do Brasil — menos de um mês após Lula sair da Casa Branca convicto de que os dois países inauguravam “uma nova lógica” nas relações bilaterais.
A reportagem está em atualização.
