O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou nesta terça-feira (23) um artigo da emissora conservadora Newsmax que aponta a eleição presidencial brasileira de 2026 como a “disputa mais importante do hemisfério”.
O texto, intitulado “Trump conquista 8 vitórias em 7 anos na América Latina”, usa a recente vitória de um candidato de direita na Colômbia para defender que o continente avança rumo ao conservadorismo.
Trump se limitou a reproduzir o título do artigo em sua rede social, sem acrescentar comentários próprios.
O artigo da Newsmax — veículo conservador alinhado ao governo Trump — tem como gancho a vitória do candidato de direita Abelardo de la Espriella nas eleições presidenciais da Colômbia. A publicação apresenta o resultado como evidência de um “ressurgimento conservador” no continente, que segundo o texto reflete a influência do presidente americano sobre a região.
O Brasil aparece no trecho final do artigo. A Newsmax afirma que a eleição de 2026 pode ser a disputa mais relevante do hemisfério — e vai além: levanta dúvidas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, sem apresentar dados ou provas para sustentar a afirmação. Na lista de obstáculos ao conservadorismo, o texto também cita a situação política na Venezuela, em Cuba e na Nicarágua.
Contexto de atrito bilateral
O compartilhamento ocorre em um momento de tensão entre Washington e Brasília. Na semana passada, Trump e o presidente Lula se encontraram brevemente na cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. No dia seguinte, questionado sobre a interação, Trump confirmou o diálogo, mas se recusou a revelar o conteúdo.
Em seguida, o presidente americano classificou o Brasil como um “país politicamente complicado” — declaração que ecoa a narrativa do artigo ao lançar sombras sobre o processo eleitoral brasileiro, em linha com afirmações anteriores de Trump sobre a integridade de eleições.
A postura de Trump em relação ao Brasil não se limitou ao compartilhamento do artigo. Em entrevista ao site Axios, Trump chamou Lula de “muito volátil” e afirmou que “não poderia se importar menos” com o presidente brasileiro — declarações feitas nos dias anteriores ao post na rede social.
Do lado brasileiro, Lula já havia respondido ao tom hostil de Trump ao deixar o G7: disse que o americano “fala muito e ouve pouco” e prometeu levar uma urna eletrônica ao próximo encontro para demonstrar pessoalmente como o sistema eleitoral do país funciona.
Endosso ou rotina?
O gesto de Trump — reproduzir o título sem comentários adicionais — é ambíguo: pode ser lido como endosso à narrativa conservadora sobre o Brasil ou como interação rotineira com um veículo aliado. De qualquer forma, o artigo projeta a eleição de 2026 no radar da polarização internacional, com questionamentos à integridade eleitoral brasileira chegando antes mesmo do início formal da campanha.
