A Blue Origin pretende voltar a lançar foguetes ainda em 2026. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (17) pelo CEO da empresa, David Limp, na conferência de tecnologia VivaTech, em Paris, ao lado do fundador Jeff Bezos.
A promessa vem um mês após a explosão da New Glenn durante um teste de ignição estática na base da Flórida. A nave não chegou a decolar — e destruiu a plataforma de lançamento.
Limp confirmou que a reconstrução da base já começou, mas não forneceu prazo de conclusão nem detalhes adicionais sobre o processo.
O que causou a explosão
A New Glenn explodiu em maio de 2026 durante um teste de ignição estática — procedimento em que os motores são acionados com o foguete ainda preso ao solo, sem que ele chegue a decolar. O incidente ocorreu por volta das 22h e danificou a plataforma de lançamento na Flórida.
O teste preparava a missão NG-4, cujo objetivo é colocar em órbita os primeiros 48 satélites da Amazon Leo — a rede de internet via satélite da Amazon, concorrente direta da Starlink, de Elon Musk.
Histórico de voos da New Glenn
Antes da explosão, a Blue Origin havia realizado três voos não tripulados com sucesso. O primeiro, no início de 2025, transportou um protótipo de veículo para implantação de satélites.
Em novembro de 2025, a nave levou ao espaço sondas destinadas a Marte com chegada prevista para 2027, em missão encomendada pela Nasa — a primeira de caráter comercial da New Glenn.
O terceiro voo, em abril de 2026, marcou a reutilização pioneira de um propulsor pela Blue Origin, façanha que aguçou a rivalidade com a SpaceX, que domina essa técnica há anos.
A urgência em retomar os voos tem pano de fundo competitivo: a SpaceX estreou na Nasdaq avaliada acima de US$ 2 trilhões — o maior IPO da história —, ampliando ainda mais a distância entre as duas empresas na corrida espacial comercial.
Na VivaTech, Jeff Bezos também se posicionou sobre inteligência artificial. Ele discordou da tese de que a IA tornará humanos redundantes e previu o efeito oposto: escassez de mão de obra.
“Sei que há muita preocupação de que a IA vá tornar os seres humanos desnecessários”, disse Bezos. “Discordo totalmente. Acho que, na verdade, a IA vai causar escassez de mão de obra.”
A visão contraria pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada em junho: metade dos americanos teme que o avanço da IA possa deixá-los — ou a alguém da família — desempregados. Bezos, quarto homem mais rico do mundo com patrimônio de cerca de US$ 250 bilhões (R$ 1,3 trilhão), argumentou que as pessoas têm tarefas infinitas a realizar e que a IA reduziria as barreiras que hoje limitam essa produtividade.
Musk acelera enquanto Blue Origin se recupera
Enquanto a Blue Origin tenta se reerguer, Elon Musk segue ampliando apostas. Antes do IPO da SpaceX, o bilionário anunciou planos de criar cidades na Lua e em Marte, lançar centros de dados de IA ao espaço e oferecer férias orbitais.
Menos de um mês antes da explosão da New Glenn, a SpaceX havia revelado planos de chegar a 10 mil lançamentos por ano — meta que torna cada semana de paralisação da Blue Origin ainda mais custosa estrategicamente.
Musk chegou a lamentar a explosão no X, desejando rápida recuperação à concorrente — gesto que reforça o tamanho da lacuna que a Blue Origin precisa fechar para voltar a disputar liderança na corrida espacial comercial.
