A Blue Origin reutilizou neste domingo (19) o propulsor de seu foguete New Glenn pela primeira vez em uma missão operacional — avanço técnico que eleva a pressão sobre a SpaceX na disputa pela supremacia espacial.
O foguete decolou de Cabo Canaveral, na Flórida, às 8h25 (horário de Brasília), carregando um satélite de comunicações da AST SpaceMobile. O propulsor pousou com sucesso em uma plataforma flutuante no Atlântico menos de dez minutos depois.
O feito consolida a maturidade técnica do programa da empresa de Jeff Bezos — mas a missão terminou com ressalva: o satélite chegou a uma órbita diferente da planejada.
Propulsor recondicionado após seis meses
O propulsor usado neste domingo já voou em novembro de 2025, quando a Blue Origin realizou a primeira recuperação bem-sucedida de um booster do New Glenn — um pouso vertical controlado em plataforma flutuante no Atlântico. Para reutilizá-lo, a empresa substituiu todos os motores e fez diversas modificações estruturais.
A trajetória até aqui não foi linear. Em janeiro de 2025, uma tentativa anterior de recuperação fracassou quando os motores não conseguiram ser reativados durante a descida. A sequência — falha em janeiro, sucesso em novembro, reutilização agora em abril — revela o ritmo com que a empresa aprende e itera.
O New Glenn havia voado em duas missões anteriores apenas com propulsores novos. Com a reutilização consolidada, a Blue Origin pode reduzir custos e aumentar a frequência de lançamentos — exatamente o modelo que tornou a SpaceX dominante no mercado global de foguetes.
O satélite da AST SpaceMobile foi separado e acionado corretamente após a decolagem, mas acabou em uma órbita diferente da desejada. A Blue Origin informou, via rede social X, que ainda avaliava a gravidade do desvio no momento em que este texto foi publicado.
Com quase 100 metros de altura, o New Glenn é o maior foguete da Blue Origin e peça central nas ambições espaciais de Bezos — incluindo o programa lunar Artemis, da NASA, no qual tanto a Blue Origin quanto a SpaceX desenvolvem módulos de alunissagem para levar astronautas americanos de volta à Lua.
Atraso no módulo lunar torna cada voo mais estratégico
A reutilização do propulsor ganha peso que vai além da engenharia. O módulo lunar da Blue Origin acumula oito meses de atraso, segundo o Inspetor-Geral da NASA — e cada demonstração de confiabilidade do New Glenn é crucial para Bezos manter credibilidade e posição no programa Artemis. Os Estados Unidos têm como meta levar astronautas à superfície da Lua até 2028, antes do fim do segundo mandato de Donald Trump, com o objetivo declarado de superar a China, que desenvolve programa lunar próprio.
Rivalidade que se expande para além do espaço
A disputa entre Bezos e Musk não se limita aos foguetes. Há menos de uma semana, a Amazon anunciou a compra da Globalstar por US$ 11,5 bilhões para disputar com a Starlink o mercado de internet via satélite — mais um front aberto entre os dois magnatas tecnológicos.
A SpaceX, por sua vez, já acumula centenas de pousos e reutilizações de propulsores do Falcon 9 e testou a captura do booster do Starship com braços mecânicos na plataforma de lançamento. A Blue Origin chega mais tarde ao jogo da reusabilidade, mas com fôlego financeiro e um mercado cada vez mais disposto a dividir contratos com um segundo fornecedor confiável.
