A SpaceX estreou na Nasdaq nesta sexta-feira (12) em uma abertura que projeta a empresa de Elon Musk acima dos US$ 2 trilhões em valor de mercado — posição que a coloca entre as seis maiores companhias de capital aberto dos Estados Unidos.
As ações tinham previsão de abrir em torno de US$ 175, cerca de 30% acima do preço de IPO fixado em US$ 135. A oferta captou US$ 75 bilhões — mais do que o dobro do recorde anterior da Saudi Aramco, em 2019 —, consolidando a maior abertura de capital da história.
Infraestrutura de Wall Street no limite
A estreia sobrecarregou os sistemas de negociação da Nasdaq. Bolsas, corretoras e instituições financeiras se prepararam para um volume extraordinário de ordens, trabalhando para evitar falhas técnicas como as que comprometeram a estreia da Meta em 2012.
As ações não foram negociadas imediatamente: a bolsa coletou pedidos durante a manhã, e os coordenadores aguardaram equilíbrio entre oferta e demanda antes de liberar o pregão. A presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, e o diretor financeiro, Bret Johnsen, tocaram o sino da Nasdaq às 10h30 (horário de Brasília).
Nas vésperas da estreia, a SpaceX havia acumulado mais de US$ 70 bilhões em pedidos de investidores individuais — desequilíbrio entre oferta e demanda que já antecipava a forte alta das ações no primeiro pregão.
Nasdaq 100 e reorganização de portfólios
A expectativa é de inclusão no Nasdaq 100 em cerca de um mês, seguindo as novas regras de entrada rápida da bolsa — prazo bem inferior ao tradicional de até um ano. Isso deve tornar a SpaceX rapidamente relevante para fundos passivos e ETFs que seguem o índice, criando nova fonte de demanda por suas ações.
A entrada pode, no entanto, pressionar outras gigantes de tecnologia: analistas avaliam que investidores tendem a reorganizar portfólios para acomodar as ações da SpaceX, gerando possível venda de outras posições. Mesmo com a euforia do mercado, a companhia registrou prejuízo de quase US$ 5 bilhões no ano passado.
Mesmo com ações em bolsa, a SpaceX mantém o chamado “status de empresa controlada”, que garante a Musk poder de decisão sem as obrigações típicas de governança corporativa — modelo adotado por apenas 3% a 4% das empresas do Russell 3000.
Termômetro para a corrida de IPOs de IA
A estreia da SpaceX vai além do setor espacial: funciona como termômetro para a próxima onda de grandes aberturas de capital. OpenAI e Anthropic protocolaram seus pedidos de abertura de capital na mesma semana, acelerando o que analistas descrevem como a maior corrida simultânea de empresas de inteligência artificial ao mercado acionário.
O desempenho das ações também coloca à prova o chamado “prêmio Musk” — fator que sustenta a avaliação de mais de US$ 1 trilhão da Tesla, mesmo diante das pressões do período em que o empresário teve participação ativa no governo de Donald Trump. A listagem consolida Musk como o primeiro trilionário da história.
John Belton, gestor de portfólio da Gabelli Funds, comparou a SpaceX à Tesla: ambas combinam um negócio estabelecido com planos ambiciosos para o futuro. A empresa afirma ter um mercado potencial de US$ 28,5 trilhões — o maior da história —, com liderança no setor espacial: segundo a companhia, mais de quatro quintos das cargas lançadas em órbita nos últimos três anos passaram por seus foguetes.
O setor espacial reagiu positivamente à estreia. Ações de Intuitive Machines, Planet Labs e Satellogic subiram entre 3,3% e 4,5% no pré-mercado, refletindo o otimismo com o segmento impulsionado pela abertura histórica.
