A Polícia Federal pediu a transferência de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, da Superintendência da corporação em Brasília de volta à Penitenciária Federal do Complexo da Papuda.
O pedido foi formalizado após a PF rejeitar a segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa do banqueiro, preso no âmbito do Caso Master.
A decisão sobre a transferência cabe ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da República também deve se manifestar antes de eventual deliberação judicial.
Por que a PF quer tirar Vorcaro da Superintendência
Segundo fontes ligadas à investigação, os policiais avaliam que a permanência de Vorcaro na Superintendência poderia comprometer o andamento das apurações. O argumento sustenta o pedido formal de retransferência encaminhado ao STF.
Na véspera, a PF já havia rejeitado formalmente a segunda proposta — avaliando que o material ainda protegia pessoas do círculo próximo do banqueiro e acrescentava pouco ao que a corporação já havia reunido por conta própria. A rejeição detalhou os motivos técnicos que inviabilizaram o acordo.
O padrão se repete desde a primeira rejeição, em maio: investigadores identificaram que Vorcaro deixava de citar nomes no topo da hierarquia criminosa cujo envolvimento a PF já havia identificado de forma independente. A primeira recusa já indicava os limites da proposta do banqueiro.
O acordo de colaboração premiada segue sendo negociado de forma conjunta entre a PF e a PGR — o que significa que qualquer proposta precisa satisfazer os dois órgãos simultaneamente para avançar.
Defesa fragilizada e próximos passos no STF
O enfraquecimento da posição de Vorcaro nas negociações ficou evidente semanas atrás, quando o criminalista especializado em delações que havia ingressado na defesa com essa missão específica deixou o caso logo após a primeira rejeição. A saída do especialista sinalizou a crise na estratégia defensiva do banqueiro.
Com a transferência solicitada, Vorcaro retornaria à Penitenciária Federal de Brasília, unidade que integra o Complexo Penitenciário da Papuda, na capital federal. A estrutura prisional da área abriga diferentes perfis de detentos em estabelecimentos separados.
Antes de qualquer decisão, o ministro André Mendonça aguardará a manifestação formal da Procuradoria-Geral da República, que atua em conjunto com a PF no acompanhamento do inquérito e das tratativas de colaboração premiada.
