A caderneta de poupança encerrou maio de 2026 com saldo positivo de R$ 2,6 bilhões — a primeira entrada líquida de recursos no ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Banco Central.
O movimento ocorre no mesmo mês em que o Desenrola 2.0 foi lançado, programa federal de renegociação de dívidas bancárias voltado para famílias com renda de até cinco salários-mínimos.
Apesar da virada em maio, a poupança acumula saída líquida de R$ 39,1 bilhões nos primeiros cinco meses de 2026, reflexo do alto endividamento registrado no período.
Estoque ultrapassa R$ 1 trilhão
Com o ingresso de recursos, o volume total depositado na poupança avançou de R$ 1 trilhão — patamar registrado em abril de 2026 — para R$ 1,01 trilhão ao fim de maio. O crescimento reflete tanto as novas aplicações quanto a remuneração incidente sobre o estoque acumulado.
O Banco Central não divulgou a causa do movimento positivo. A coincidência com o Desenrola 2.0 é, no entanto, o elemento mais evidente do cenário: o programa foi lançado justamente em maio, aceitando devedores bancários com renda mensal de até cinco salários-mínimos e oferecendo condições especiais de renegociação.
O resultado de maio se alinha ao balanço mais recente do programa: o Desenrola 2.0 havia renegociado R$ 20 bilhões em dívidas de 1,4 milhão de famílias até o início de junho, com desconto médio de 85% sobre o valor original. A hipótese é que parte dos devedores, ao regularizar sua situação, retomou gradualmente a capacidade de poupar.
Competitividade da poupança segue limitada com Selic alta
A recuperação de maio não altera o quadro estrutural da caderneta. Com a taxa Selic acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança fica travado em 0,5% ao mês acrescido da variação da Taxa Referencial (TR), calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados.
Na prática, fundos de renda fixa e títulos do Tesouro Direto atrelados à Selic acompanham integralmente a taxa básica de juros — o que os torna mais vantajosos em cenário de juro elevado e explica boa parte da migração de recursos observada ao longo do ano.
O cenário de maio também contrasta com o quadro de abril: o Banco Central havia registrado a maior taxa de inadimplência bancária de sua série histórica naquele mês — 4,4% das operações com atraso superior a 90 dias —, dado que comprime diretamente a capacidade de poupança das famílias.
Com R$ 39,1 bilhões retirados nos primeiros cinco meses do ano, o saldo positivo de maio representa uma inflexão, mas ainda não uma reversão de tendência. A consolidação de um retorno consistente ao produto dependerá da trajetória do endividamento e da política de juros nos próximos meses.
