O SUS começa a implementar este mês a vacina pneumocócica 20-valente (VPC20), substituindo a versão 10-valente usada na rede pública. A mudança dobra a proteção contra sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por pneumonia, meningite e infecções invasivas.
A expectativa é imunizar cerca de 2,4 milhões de bebês por ano. Nesta quarta-feira (3), o ministro Alexandre Padilha deve detalhar as diretrizes nacionais para o início da vacinação com a nova fórmula.
Cobertura que salta de 3% para 77%
A VPC20, fabricada pela Pfizer, integra o Calendário Nacional de Vacinação no âmbito do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e da Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE). A principal diferença em relação à vacina anterior está na proteção contra sorotipos críticos da bactéria.
A fabricante destaca a inclusão dos sorotipos 19A e 3 — apontados como os mais circulantes no Brasil e associados à maior parte dos casos de doença pneumocócica invasiva. A nova fórmula também cobre oito sorotipos ligados à resistência a antibióticos e ao potencial de causar infecções invasivas, além de cinco sorotipos exclusivos relacionados a quadros graves não contemplados por nenhuma outra vacina conjugada disponível no país.
Com a substituição, a cobertura contra os sorotipos mais associados às formas graves em crianças menores de 5 anos salta de 3% para 77%.
Quem passa a ter acesso
A atualização amplia o público elegível para além dos grupos já atendidos — pacientes oncológicos, pessoas vivendo com HIV e transplantados. Passam a ser incluídos também portadores de asma grave, doenças cardiovasculares, pulmonares, renais e hepáticas, e diabetes. A mudança ocorre em paralelo a outra atualização recente no SUS: a revisão do protocolo clínico para asma que, pela primeira vez, incorporou imunobiológicos para casos severos.
Para bebês e crianças menores de 5 anos, o esquema vacinal varia conforme a idade e a condição clínica. Para crianças acima de 5 anos e adultos, a VPC20 é aplicada em dose única, exceto em situações específicas como transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) e terapia CAR-T.
Alta de meningite e cobertura vacinal em queda no Brasil
A incorporação da VPC20 ocorre em um momento de alerta para a saúde pública. O país registrou aumento nos casos de meningite pneumocócica nos últimos anos, com estudos apontando elevado número de hospitalizações e custos associados ao sistema de saúde, mesmo com vacinação em curso.
A bactéria pneumococo pode estar presente na nasofaringe sem provocar sintomas, o que facilita a transmissão — especialmente entre crianças. Embora qualquer pessoa possa ser infectada, os grupos mais suscetíveis a complicações graves são crianças pequenas, idosos e indivíduos com doenças crônicas.
A expansão chega em um contexto de baixa adesão às campanhas de imunização. A vacinação contra a gripe em 2026 encerrou com apenas 38,5% de cobertura — menos da metade da meta de 90%, sinalizando desafios estruturais que a chegada da VPC20 ao SUS busca enfrentar com uma estratégia de acesso mais ampla.
“A ampliação da vacinação pneumocócica no SUS representa um avanço relevante na proteção de populações mais vulneráveis. Estamos falando de reduzir o risco de doenças graves, hospitalizações prolongadas e óbitos, tanto na infância quanto em pessoas com comorbidades”, afirmou Adriana Ribeiro, líder médica da Pfizer no Brasil.
Especialistas apontam que a simplificação do esquema — com dose única para adultos — deve facilitar a adesão e ampliar o alcance da campanha.
