Mercosul e Canadá encerraram nesta semana mais uma rodada de negociações para um acordo de livre comércio, com cinco capítulos avançando para a fase final de conclusão. O encontro contou com a presença do ministro de Comércio Internacional canadense, Maninder Sidhu.
O ministro brasileiro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, afirmou que 60% do acordo já está acertado e que as negociações podem ser concluídas ainda em 2026.
O fluxo bilateral entre Brasil e Canadá atingiu US$ 10,4 bilhões em 2025. As exportações brasileiras ao país cresceram 14,8% no período, chegando a US$ 7,3 bilhões — recorde histórico. Entre os destaques, minérios de alumínio, níquel e cobre, açúcar, café e aeronaves.
O Canadá já é o oitavo principal destino das exportações brasileiras. Uma nova rodada está agendada para o próximo mês, em Brasília, dando continuidade ao processo retomado em 2025 após uma paralisação que durou desde 2021. Interlocutores classificam o ritmo atual como “acelerado”.
Embalo do acordo com a União Europeia
O avanço das negociações com o Canadá se apoia no embalo do acordo com a União Europeia, que entrou em vigor provisoriamente em maio e abriu imediatamente mercado para produtos como café, açúcar e aeronaves brasileiras — exatamente os setores que lideram as exportações ao mercado canadense.
Para o Mercosul, o acordo representa a possibilidade de ampliar presença em mercados desenvolvidos e atrair investimentos, especialmente nos setores de mineração e infraestrutura. Do lado canadense, há interesse explícito em concluir o entendimento antes de setembro.
Dependência dos EUA acelera a busca canadense por novos parceiros
O interesse de Ottawa em diversificar parceiros comerciais se insere em um cenário global de rearranjos: enquanto EUA e China aproximam suas relações comerciais, o Canadá acelera a busca por alternativas ao seu principal parceiro econômico.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, deve visitar o Brasil nos próximos meses. A expectativa é de que o encontro ajude a acelerar a conclusão do tratado, mesmo sem previsão de anúncio formal durante a visita.
