A Wix.com, empresa israelense de criação de sites, anunciou nesta quinta-feira (28) o corte de mil postos de trabalho — 20% de todo o seu quadro. O CEO Avishai Abrahami comunicou a decisão em publicação no X.
Dois fatores combinados motivaram o corte: a valorização do shekel frente ao dólar, que pressiona os custos operacionais da companhia, e o avanço acelerado da inteligência artificial, que segundo o executivo está redefinindo como negócios são construídos e administrados.
Estrutura mais enxuta e menos hierárquica
Ao fim do primeiro trimestre de 2026, a Wix registrava 5.277 funcionários. Com os cortes, o quadro cairá para cerca de 4.277 pessoas. As ações da empresa, listadas na Nasdaq, acumulam queda de quase 50% no ano.
No comunicado enviado à equipe, Abrahami foi direto sobre as consequências: a empresa precisará se tornar “mais rápida, enxuta e menos hierárquica”, com menos camadas entre a liderança e quem efetivamente constrói os produtos.
“Menos camadas significam decisões mais rápidas, responsabilidades mais claras e menos distância entre quem define a direção da empresa e quem constrói os produtos”, escreveu. “Mas isso também significa um número menor de pessoas.”
O CEO classificou a decisão como uma das mais difíceis de sua carreira e prometeu conduzir o processo “com sensibilidade, respeito e cuidado”.
A associação de fabricantes de Israel também se manifestou, atribuindo as demissões à omissão do governo e do banco central diante da valorização do shekel. “A reação da economia à queda do dólar é mais rápida e severa do que imaginávamos”, disse a entidade em comunicado à Reuters.
A Wix não está sozinha nesse movimento: poucos dias antes, a Meta anunciou o corte de 8 mil funcionários usando a mesma justificativa — a corrida pela inteligência artificial exige estruturas mais enxutas e menos hierárquicas.
O discurso de Abrahami ecoa o de outros líderes do setor. Mark Zuckerberg assumiu publicamente que os cortes na Meta eram a fatura direta dos investimentos em IA — e deixou aberta a possibilidade de novas rodadas de demissões.
A onda vai além do setor de tecnologia. O Standard Chartered, banco britânico com 82 mil funcionários, cortou 7.800 postos atribuídos à automação por IA — e o caso virou escândalo global quando o CEO chamou os trabalhadores de “capital humano de menor valor”.
Para Abrahami, porém, a reestruturação é necessária para garantir a sobrevivência competitiva da empresa. “Estamos escolhendo competir”, afirmou. “É uma mudança dolorosa, mas acredito sinceramente que não temos outra escolha — precisamos evoluir.”
O caso Wix ilustra um paradoxo crescente no setor: empresas que vendem ferramentas digitais para outros negócios estão entre as primeiras a sentir o impacto da automação em seus próprios quadros.
A inteligência artificial, que deveria ser vantagem competitiva, torna-se também vetor de eliminação de empregos nas mesmas companhias que a promovem.
