Em reunião com funcionários nesta quinta-feira (30), Mark Zuckerberg assumiu pela primeira vez o ônus das demissões planejadas na Meta: a fatura da inteligência artificial. O CEO da controladora do Facebook afirmou que os investimentos crescentes em IA são o motor dos cortes — e deixou aberta a possibilidade de novas rodadas além das previstas para maio.
A Meta vai dispensar cerca de 10% de seu quadro até 20 de maio. Cortes adicionais estão programados para o segundo semestre — mas executivos da empresa se recusaram a detalhar qualquer plano além dessa data.
IA como justificativa para enxugar o quadro
Na reunião desta quinta, Zuckerberg dividiu a empresa em dois grandes centros de custo: “infraestrutura de computação e coisas voltadas para as pessoas”. A mensagem implícita era clara — em um cenário de expansão acelerada em IA, as máquinas levam vantagem sobre os salários.
O CEO fez questão de separar os cortes da reestruturação interna em curso. Segundo ele, as demissões não têm relação com a reorganização das equipes em torno de uma estrutura “nativa de IA” nem com o desenvolvimento de agentes autônomos capazes de executar tarefas corporativas sem supervisão humana — mesmo que seja exatamente esse movimento que alimenta o desconforto entre os trabalhadores.
A sessão desta quinta foi a primeira vez que Zuckerberg se dirigiu diretamente ao seu time sobre o assunto desde que a Reuters revelou o plano em março — e após a Meta confirmar internamente, em 23 de abril, o corte de 8 mil pessoas e o cancelamento de outras 6 mil vagas abertas. O histórico desse comunicado foi detalhado quando a Meta anunciou internamente o corte de 8 mil funcionários e o cancelamento de 6 mil vagas para bancar seus planos de IA.
Rastreamento de funcionários e reação interna
O clima nas equipes da Meta piorou ainda mais com a revelação de uma nova iniciativa da empresa: rastrear movimentos de mouse, cliques e pressionamentos de teclas dos funcionários para treinar agentes de IA. A medida, somada ao silêncio institucional que a companhia mantinha sobre os cortes, gerou indignação generalizada no ambiente interno.
Em alguns casos, trabalhadores foram além do descontentamento velado e criticaram abertamente Zuckerberg e outros líderes no fórum interno de mensagens da empresa, segundo cópias dos comentários obtidas pela Reuters.
Zuckerberg e demais executivos confirmaram apenas as demissões de 20 de maio e se recusaram a detalhar qualquer plano subsequente. A perspectiva de novas rodadas de cortes no segundo semestre mantém o ambiente sob tensão — enquanto a Meta acelera sua transformação em direção a uma companhia cada vez mais orientada por máquinas e menos por pessoas.
