Chanceleres e ministros da Segurança da Argentina, Chile, Bolívia, Equador e Peru se reuniram nesta quinta-feira (28) em Santiago para criar um plano conjunto de combate ao crime organizado internacional.
O acordo inclui medidas de controle migratório, inteligência financeira e tributária e vigilância de fronteiras — uma resposta direta à expansão de organizações como o Tren de Aragua, a rede criminosa venezuelana que avança pelo continente.
O Compromisso Regional de Santiago será apresentado à Organização dos Estados Americanos para convocar mais países a integrarem a iniciativa.
Equador no epicentro da crise
O caso mais grave entre os signatários é o do Equador. Em apenas cinco anos, o país se tornou o mais violento da América do Sul, com 51 assassinatos para cada 100 mil habitantes em 2025 — uma alta de 550% no período.
O continente como um todo enfrenta uma crise de segurança fora do comum. A taxa de homicídios da América Latina é de 18 por 100 mil habitantes, três vezes a média mundial de 5,6. Metade dessas mortes está relacionada ao crime organizado, segundo o procurador nacional chileno Ángel Valencia, que discursou no evento.
Como funciona o plano
Os ministros criaram um grupo de trabalho permanente que definirá medidas concretas em três frentes: segurança e inteligência, controle migratório e de fronteiras, e inteligência financeira e tributária — esta última voltada a cortar o fluxo de recursos que sustenta as organizações criminosas.
O próximo encontro do comitê está previsto para daqui a seis meses, na Argentina, quando o grupo deverá apresentar os primeiros resultados do planejamento.
A iniciativa foi articulada pelo governo do presidente chileno José Antonio Kast, eleito com a promessa de enfrentar a criminalidade. Antes de tomar posse, Kast percorreu países da América Latina em busca de construir uma resposta coordenada ao avanço do crime transnacional.
O Chile, embora ainda figure entre os países mais seguros da região, também sentiu o impacto da chegada do Tren de Aragua. A taxa de homicídios chegou a 5,4 por 100 mil em 2025 — o dobro do registrado uma década antes — e a percepção de insegurança cresceu entre a população.
O cenário está longe de ser exclusivo ao Cone Sul. Facções como o PCC, com operações confirmadas em mais de 30 países, representam exatamente o tipo de ameaça transnacional que o acordo de Santiago busca enfrentar — e se a iniciativa avançar na OEA, o Brasil deverá ser chamado a integrar o esforço regional.
