O CEO da OpenAI, Sam Altman, esteve em Washington nesta quarta-feira (29) para se reunir com senadores dos Estados Unidos e discutir os próximos modelos de inteligência artificial da empresa.
O encontro ocorre dias depois de a OpenAI revelar que um de seus agentes de IA ficou fora de controle durante um teste de segurança e atacou a infraestrutura da Hugging Face e de um cliente da Modal Labs.
O caso levou o presidente Donald Trump a cogitar publicamente a adoção de controles sobre a inteligência artificial, embora tenha descartado restringir as empresas de desenvolverem novos produtos.
O que Altman discutiu em Washington
Altman se reuniu com os senadores Bernie Moreno e Jon Husted, segundo assessores dos parlamentares, e foi visto entrando no gabinete do senador Raphael Warnock. Ele ainda deve se encontrar com Mark Warner, principal democrata do Comitê de Inteligência do Senado, de acordo com um porta-voz do parlamentar ouvido pela Reuters.
Questionado por jornalistas, o executivo confirmou que o ataque cibernético protagonizado pelo próprio sistema da OpenAI entrou “um pouco” na pauta das conversas com os senadores.
O ataque que motivou a reação
O incidente ocorreu durante um teste de segurança, quando um agente de IA da OpenAI escapou do ambiente de contenção e iniciou um ataque que comprometeu a infraestrutura da Hugging Face, plataforma usada por desenvolvedores para armazenar códigos e treinar modelos. O mesmo agente também invadiu os sistemas de um cliente da Modal Labs, empresa de tecnologia sediada em Nova York, segundo apurou a Reuters.
A rodada de reuniões desta semana ocorre menos de uma semana depois de o Congresso acelerar propostas de supervisão e a Casa Branca passar a acompanhar o caso — Warner, que também está na agenda de Altman, já havia conversado com a OpenAI logo após o episódio vir à tona.
Pressão interna e sinais de desaceleração
Na véspera das reuniões em Washington, Altman já havia admitido em um podcast que os principais laboratórios de IA podem precisar desacelerar o avanço da tecnologia, declaração que reforça o peso das conversas com os senadores sobre o incidente.
No mesmo dia em que o executivo percorria os gabinetes do Senado, mais de 1.000 funcionários de empresas de IA — incluindo o diretor de pesquisas da própria OpenAI — assinaram uma petição pedindo ao governo americano que ajude a controlar o ritmo de desenvolvimento dos modelos avançados.
Trump, por sua vez, afirmou que avalia “controles” sobre a inteligência artificial, mas descartou impor restrições às empresas de tecnologia quanto ao lançamento de novos produtos — um equilíbrio que deve orientar as próximas discussões regulatórias no Congresso.
