Política

Brasil registra menor taxa de homicídios em 11 anos, mas alerta sobre dados ocultos

Enquanto índice oficial cai 7,4%, estimativa com mortes de causa indeterminada reduz a queda para apenas 0,4%
Floresta amazônica vista aérea simbolizando a taxa de homicídios Brasil 2024 e violência regional

O Brasil fechou 2024 com a menor taxa de homicídios em 11 anos: 20,1 mortes a cada 100 mil habitantes, o equivalente a 42.590 assassinatos registrados oficialmente — 7,4% menos do que em 2023.

O dado vem do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O alerta do próprio relatório é que o recuo pode ser bem menor: com homicídios ocultos incluídos na conta, a queda seria de apenas 0,4%.

Queda real ou ilusão estatística?

O Atlas usa aprendizado de máquina para estimar quantas mortes classificadas como “causa indeterminada” são, na prática, homicídios não reconhecidos. Com esse ajuste, o número estimado sobe para 49.673 homicídios em 2024 — taxa de 23,4 por 100 mil — e a queda em relação a 2023 encolhe de 7,4% para apenas 0,4%.

Os chamados homicídios ocultos quase dobraram em um ano: de 3.755 para 7.083 casos, alta de 88,6%. Eles passaram a representar 14,3% dos homicídios estimados em 2024; um ano antes, essa proporção era de 7,6%. Para os pesquisadores, o salto indica piora recente na capacidade de identificar corretamente a intencionalidade das mortes violentas.

Por que os homicídios caíram?

O relatório aponta três fatores principais: políticas de segurança estaduais e municipais baseadas em diagnósticos locais; mudanças nas dinâmicas do crime organizado, com tréguas entre facções em algumas regiões; e o envelhecimento da população, já que jovens são o principal perfil das vítimas. Na série de dez anos, de 2014 a 2024, a taxa nacional caiu 33,4% e o número absoluto de mortes recuou 29,6%.

Concentração e disparidade regional

Dezoito estados ficaram acima da média nacional de 20,1 homicídios por 100 mil. A violência letal segue concentrada no Norte e no Nordeste, enquanto Sul, Sudeste e Distrito Federal registram os menores índices. O Amapá foi o caso mais crítico na série histórica: única UF com aumento expressivo tanto na taxa (+30,2%) quanto no número absoluto (+41,8%). Na variação anual, apenas Maranhão (+7,6%) e Ceará (+5,2%) avançaram de forma relevante.

Metade dos homicídios em menos de 2% das cidades

Em 2024, 50% dos homicídios estimados ocorreram em apenas 99 municípios — cerca de 1,8% das cidades brasileiras. Os dez com maior número absoluto de assassinatos concentraram 19,4% do total nacional.

Paradoxalmente, a violência mais intensa não se concentra nas maiores metrópoles. Os municípios médios — entre 100 mil e 500 mil habitantes — registraram a maior taxa média: 24,1 por 100 mil, acima dos grandes centros (23,2) e dos pequenos (19,7). A concentração em cidades intermediárias não é coincidência: levantamento anterior do Ipea e do FBSP já documentava como o avanço das facções para o interior redesenha a geografia da violência no país.

Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, os 20 mais violentos tinham taxa média de 64,7 homicídios por 100 mil — 13,2 vezes a dos 20 menos violentos (4,9). Dos mais perigosos, 17 ficavam no Nordeste; dos mais seguros, todos no Sul ou Sudeste.

A escala do problema fica mais nítida quando se considera que 68 milhões de brasileiros vivem em bairros com presença reconhecida de facções ou milícias, segundo pesquisa do próprio FBSP — dado que explica por que a violência não recua de forma uniforme mesmo com as melhoras nos índices nacionais.

Em São Paulo, 84,7% dos homicídios estimados na capital eram casos ocultos; em Belo Horizonte, 65,2%. O Atlas atribui esse fenômeno a falhas técnicas no cruzamento de dados entre secretarias de saúde e segurança pública, sem indicar intenção dos gestores de esconder informações.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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