O petróleo caiu mais de 5% nesta segunda-feira (25) e atingiu o menor nível em duas semanas, impulsionado pelo otimismo de que Estados Unidos e Irã estejam próximos de um acordo de paz.
O recuo reflete sinais de reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito — mas divergências centrais entre as partes mantêm o cenário incerto.
No sábado, Donald Trump afirmou que Washington e o Irã haviam “negociado amplamente” um entendimento que permitiria a reabertura do estreito. No dia seguinte, contudo, o próprio presidente orientou seus representantes a não acelerarem as tratativas.
O secretário de Estado Marco Rubio elevou o tom nesta segunda-feira: disse que os EUA esperam fechar um “bom acordo” com o Irã ou adotarão “outra abordagem”. Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou que Teerã negocia o fim da guerra — e que questões nucleares não estão na mesa no momento.
Em 6 de maio, o petróleo já havia despencado 12% com os primeiros sinais de entendimento — movimento rapidamente revertido quando as negociações voltaram a emperrar. O padrão se repete com as declarações contraditórias deste fim de semana.
Apesar das incertezas, o tráfego marítimo dá sinais de movimento: dois navios-tanque carregados com gás natural liquefeito deixavam o estreito nesta segunda com destino ao Paquistão e à China, e um superpetroleiro com petróleo iraquiano saiu do Golfo rumo à China no sábado, após ficar retido por quase três meses.
Analistas avaliam que a normalização completa do fluxo pelo estreito ainda deve levar meses, enquanto instalações de petróleo e gás danificadas passam por reparos. O otimismo atual pode estar precificando uma resolução mais rápida do que o cenário real permite.
Nos Estados Unidos, empresas do setor de energia ampliaram, pela quinta semana seguida, o número de plataformas em operação — algo inédito desde fevereiro de 2025. O total subiu sete unidades na semana encerrada em 22 de maio, chegando a 558, o maior nível desde junho de 2025. A Baker Hughes ressalva, porém, que o número ainda fica oito plataformas abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.
Na última sexta (15), o Brent havia chegado a US$ 109,64 após o encontro Trump-Xi sem avanços concretos sobre Ormuz — patamar que torna a queda de mais de 5% desta segunda ainda mais expressiva e revela a sensibilidade do mercado a qualquer sinal diplomático.
Menos de duas semanas atrás, Trump havia rejeitado a proposta iraniana — que incluía fim do bloqueio naval e reconhecimento de soberania sobre Ormuz —, episódio que empurrou os preços para cima e explica por que operadores ainda desconfiam da durabilidade do otimismo atual.
