O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (23) que um acordo envolvendo os EUA, o Irã e países do Oriente Médio está “amplamente negociado” e aguarda apenas a finalização.
A declaração foi publicada no Truth Social após uma série de ligações com chefes de Estado de nove países — entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar, Turquia e Egito — conduzidas diretamente do Salão Oval da Casa Branca.
Entre os pontos confirmados por Trump está a abertura do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita cerca de um quinto de todo o petróleo transportado pelo mundo.
Em postagem detalhada no Truth Social, Trump listou os participantes da conversa: o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, o presidente emiradense Mohammed bin Zayed, o emir do Catar Tamim bin Hamad, além dos chefes de governo do Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein.
Em ligação separada, Trump afirmou ter conversado com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu — a quem chamou de “Bibi” — e classificou o contato como “muito produtivo”. O líder israelense não estava entre os participantes da reunião coletiva.
Sobre o estreito, Trump foi direto: “Além de muitos outros elementos do acordo, o Estreito de Ormuz será aberto”, escreveu. A passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã é considerada um dos pontos mais sensíveis da geopolítica global.
Os mesmos líderes, a mesma mesa
Não é coincidência que Mohammed bin Salman, Mohammed bin Zayed e o emir do Catar apareçam novamente nas tratativas. O emir do Catar, o príncipe herdeiro saudita e o presidente dos Emirados — os mesmos que semanas antes convenceram Trump a cancelar um ataque militar contra o Irã — voltam como peças centrais na construção do acordo.
O “memorando de entendimento pela paz” citado por Trump também já havia sido sinalizado anteriormente. Quando Irã e EUA estavam próximos de assinar um documento de uma página para encerrar o conflito, o Estreito de Ormuz já era apontado como ponto central das tratativas.
As negociações chegam em um momento em que o Estreito de Ormuz concentrava preocupações crescentes nos mercados internacionais. Nas últimas semanas, o temor de interrupções na navegação elevou a pressão sobre os preços do petróleo e o transporte marítimo global, com impactos sentidos em bolsas e contratos futuros de energia.
A abertura declarada do estreito — se confirmada — representa uma virada significativa para o abastecimento energético mundial, dado que o corredor responde por cerca de 20% do petróleo transportado no planeta.
Contradições e próximos passos
O anúncio contrasta com posições recentes do próprio Trump. Dois dias antes, o presidente havia descartado concessões sobre o Estreito de Ormuz e prometido retirar o urânio enriquecido do Irã — posturas que agora aparecem integradas ao acordo que ele diz estar “amplamente negociado”.
Trump não divulgou data nem formato para a formalização. A declaração indica que os detalhes finais estão em discussão e serão anunciados “em breve”.
