O governo argentino vai reduzir o imposto de exportação sobre trigo e cevada de 7,5% para 5,5% a partir de junho. O anúncio foi feito pelo presidente Javier Milei na quinta-feira (21).
A bolsa de grãos de Rosário avaliou, nesta sexta-feira (22), que o alívio tributário chega em momento decisivo — quando agricultores ainda definem as áreas de plantio dos grãos de inverno para a safra 2026/27.
Segundo estimativa da bolsa de Rosário, a medida deve elevar os preços de compra do trigo em aproximadamente 2,2% a 2,3%, o equivalente a US$ 4,8 a US$ 4,9 por tonelada métrica. O valor representa um fôlego para produtores que enfrentam margens comprimidas por custos mais altos de combustível, fertilizantes e frete.
A redução das alíquotas coincide com o início da semeadura de grãos de inverno no país. Em meados de maio, dados oficiais indicavam que o plantio de trigo já estava em andamento nas províncias de Entre Rios, Tucumán, Catamarca e Santiago del Estero, enquanto a cevada avançava em partes de Buenos Aires e em outras regiões.
O corte tributário tende a influenciar diretamente a tomada de decisão dos produtores rurais, que ainda determinam a área a cultivar na próxima temporada. Com perspectiva de melhor retorno financeiro, a expectativa é que a semeadura ganhe ritmo nas próximas semanas.
Na mesma ocasião, Milei sinalizou que os impostos de exportação sobre a soja também poderiam ser reduzidos de forma gradual a partir de janeiro de 2027, apontando para uma possível revisão mais ampla da política tributária do agronegócio argentino.
A Argentina ocupa posição estratégica no mercado global de commodities agrícolas: é uma das principais exportadoras mundiais de trigo e a maior exportadora do planeta em produtos processados de soja, como farelo e óleo vegetal.
O anúncio integra o conjunto de reformas econômicas do governo Milei, que busca aliviar a pressão sobre o setor produtivo em meio a custos crescentes e margens cada vez mais estreitas no campo argentino.