Um júri americano decidiu nesta segunda-feira (18) contra Elon Musk no processo em que o bilionário acusava a OpenAI de ter traído sua missão original de desenvolver inteligência artificial em benefício da humanidade.
Os jurados concluíram que a empresa não pode ser responsabilizada pelas acusações de Musk. O julgamento, iniciado em 28 de abril, durou 11 dias e foi marcado por disputas sobre a credibilidade tanto do bilionário quanto do CEO Sam Altman.
O veredicto encerra uma disputa que expôs as tensões entre discurso altruísta e interesses financeiros no setor de IA. Musk acusou a OpenAI de priorizar o enriquecimento de investidores e de pessoas ligadas à organização, além de negligenciar a segurança da inteligência artificial.
A defesa da OpenAI rebateu argumentando que Musk demorou excessivamente para alegar quebra do acordo original — e que foi o próprio bilionário quem passou a demonstrar maior interesse financeiro no setor. O CEO Sam Altman foi alvo direto das acusações: o advogado de Musk, Steven Molo, afirmou aos jurados que diversas testemunhas questionaram a sinceridade de Altman, algumas chegando a chamá-lo de mentiroso.
Mas a narrativa de Musk como defensor do interesse público também saiu arranhada. Altman revelou em depoimento que Musk chegou a exigir 90% do controle da OpenAI antes de mover o processo — o que colocou em xeque a versão de que o bilionário agia exclusivamente em nome da missão original da empresa.
A Microsoft, principal parceira da OpenAI, também esteve presente. Um executivo confirmou que a companhia já investiu mais de US$ 100 bilhões na parceria. Segundo Musk, a Microsoft sabia desde o início que a OpenAI estava mais focada em lucro do que em altruísmo.
O processo foi acompanhado de perto pelo setor de tecnologia porque o desfecho pode influenciar os rumos da governança de IA. O julgamento levantou questões que vão além da disputa pessoal: quem define a missão de uma empresa de inteligência artificial? Quem lucra quando a tecnologia avança?
A OpenAI se prepara para uma abertura de capital que pode avaliá-la em cerca de US$ 1 trilhão — equivalente a R$ 7,2 trilhões. A empresa disputa espaço no mercado com Anthropic e com a xAI, de Musk, que agora integra a SpaceX, também preparada para um IPO de grande porte.
Dentro do próprio tribunal, as contradições de Musk ficaram evidentes. O bilionário admitiu que o Grok, seu sistema rival ao ChatGPT, havia sido treinado com tecnologia da OpenAI — a mesma empresa que ele processava por trair sua missão original.
O debate sobre inteligência artificial segue em aberto. A tecnologia já é usada em diagnósticos médicos, pesquisas jurídicas e criação de deepfakes, ao mesmo tempo em que alimenta o temor de substituição de empregos em larga escala.
