Trump e Xi Jinping estão reunidos nesta quarta-feira (13) em Pequim para uma cúpula que toca nos pontos mais sensíveis da relação sino-americana: armas nucleares, Taiwan e inteligência artificial.
É o segundo encontro presencial entre os dois líderes em menos de um ano. A última reunião, em outubro de 2025, resultou em acordos comerciais e uma pausa na guerra tarifária.
Desta vez, a cúpula acontece com um pano de fundo ainda mais tenso: os dois países chegam a Pequim sob a sombra da guerra no Irã e de acusações americanas de que a China testou armas nucleares em segredo.
Acusações nucleares e a questão de Taiwan
Um dos temas mais sensíveis da pauta é a questão nuclear. Em novembro de 2025, Trump acusou Pequim de realizar testes secretos de armas nucleares — acusação reforçada por um subsecretário norte-americano em fevereiro de 2026, às vésperas do início da guerra no Irã. A cúpula pode ser o momento para que os dois lados confrontem essa tensão diretamente.
Taiwan também deve ocupar espaço nas conversas. A China reivindica a ilha como parte de seu território, enquanto os Estados Unidos mantêm uma postura de apoio à autonomia taiwanesa — uma contradição estrutural que define a relação bilateral há décadas.
Tecnologia e comércio na mesa
Na frente tecnológica, assessores de Trump demonstraram preocupação crescente com o avanço de modelos de inteligência artificial desenvolvidos na China. A avaliação compartilhada nos dois governos é que EUA e China precisam criar canais de comunicação para evitar conflitos ligados à IA — e o encontro desta semana pode abrir essa conversa.
Na agenda comercial, os dois países chegam à cúpula com propostas concretas: cada lado identificou cerca de US$ 30 bilhões em produtos para redução tarifária recíproca, além da possível criação de um Conselho de Comércio bilateral.
O pano de fundo geopolítico da cúpula é marcado pelo conflito no Irã. Mesmo após o cessar-fogo no Oriente Médio, Trump vem ameaçando retomar ataques, e a posição da China em relação à guerra é uma variável relevante para as conversas em Pequim.
A visita carrega também peso simbólico adicional. Dias antes de embarcar, Trump ouviu do presidente Lula que o recuo americano da América Latina havia aberto caminho para a China avançar na região — tornando o encontro em Pequim ainda mais carregado de pressão geopolítica para Washington.
O encontro ocorre no contexto de uma relação sino-americana que alterna entre confronto e cooperação. A trégua comercial firmada em outubro de 2025 — quando os dois líderes se viram pela última vez pessoalmente — ainda está de pé, mas seu futuro depende, em parte, do que for acordado nesta semana na capital chinesa.
