Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (14) que seu status migratório nos Estados Unidos tornaria impossível receber dinheiro de um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro — e garantiu que, se isso tivesse ocorrido, “o próprio governo americano” o puniria.
A Polícia Federal investiga se recursos de Vorcaro foram usados para custear a permanência do ex-deputado nos EUA, para onde ele se mudou em fevereiro do ano passado sem retornar ao Brasil desde então.
O rastro do dinheiro
A investigação ganhou força após o Intercept Brasil publicar, na quarta-feira (13), mensagens em que Flávio Bolsonaro cobrava de Vorcaro as parcelas prometidas para o Dark Horse — cinebiografia de Jair Bolsonaro com estreia prevista para setembro no Brasil. O dinheiro teria sido repassado via Entre Investimentos, empresa que recebeu R$ 159 milhões de fundos investigados pela PF e ligados ao banqueiro, segundo o Coaf.
Em entrevista à GloboNews nesta quinta, Flávio Bolsonaro confirmou que os R$ 61 milhões pagos pelo dono do Banco Master foram para um fundo administrado nos EUA pelo advogado de seu irmão Eduardo. O senador é pré-candidato à Presidência da República.
Nas redes sociais, Eduardo classificou a versão como “tosca” e “insustentável”, e disse ter apresentado o mesmo advogado ao deputado e produtor executivo do filme Mário Frias “por saber da sua competência”.
Os três pontos da apuração
Segundo investigadores ouvidos pelo blog da Andreia Sadi, a PF quer esclarecer três questões centrais: se o recurso foi realmente aplicado no projeto audiovisual; se houve desvio de finalidade; ou se parte dos valores acabou financiando diretamente a estadia de Eduardo nos EUA.
Uma das hipóteses em apuração é que o argumento do filme funcionou apenas como justificativa formal para viabilizar a transferência — e não como destino real do dinheiro.
Na véspera, Flávio havia admitido — após ser exposto por um áudio — ter solicitado os R$ 61 milhões a Vorcaro, valor que teria transitado pelo fundo americano gerido pelo advogado de Eduardo antes de qualquer aplicação no projeto.
O deputado Mário Frias e a produtora GOUP Entertainment divulgaram notas negando que a cinebiografia tenha recebido qualquer quantia do banqueiro. Mas Frias — que Eduardo afirma ter apresentado ao advogado do fundo “por saber de sua competência” — já recuou de versão anterior: havia descartado qualquer vínculo financeiro com Vorcaro antes de reconhecer o repasse.
Nos bastidores da investigação, persistem dúvidas sobre o real papel de Flávio nas negociações e sobre a destinação final de todos os recursos envolvidos. Dois filhos de Jair Bolsonaro figuram, portanto, no centro de uma apuração que mistura política, cinema e suspeita de desvio financeiro.
