Uma delegada e policiais federais ativos e aposentados integravam uma estrutura criminosa paralela criada para proteger os interesses do banqueiro Daniel Vorcaro. Eles vazavam dados sigilosos de sistemas internos da PF e monitoravam adversários do grupo.
A revelação consta na decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a 6ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14). O pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, foi preso nesta manhã em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Dois núcleos com funções distintas
A PF identificou dois grupos dentro da estrutura paralela. O primeiro, chamado “A Turma”, era especializado em ameaças, intimidações presenciais, coerções e obtenção de dados sigilosos. O segundo, “Os Meninos”, tinha perfil tecnológico e atuava em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal.
Ambos os grupos eram gerenciados, à época dos fatos, por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. Sua função era atender aos comandos do núcleo central da organização criminosa, segundo os investigadores.
PF usada como ferramenta de espionagem interna
Os investigados Valéria e Francisco são acusados de repassar informações sigilosas ao operador Marilson Roseno da Silva por meio de consultas no sistema e-Pol, plataforma interna da corporação. Em 2024, Marilson teria buscado auxílio de ao menos três policiais federais para descobrir o conteúdo de um inquérito no qual Henrique Vorcaro havia sido intimado.
Em interceptações citadas na decisão, Marilson aciona um dos integrantes informando que “um parceiro vai encontrar comigo aqui e vai trazer uma sucinta” — ao lado da imagem da intimação enviada a Henrique Vorcaro. Para os investigadores, o episódio confirma que a estrutura não se limitava a intimidações, mas também atuava para antecipar movimentos das investigações do Banco Master.
A decisão ainda cita Manoel Mendes Rodrigues, identificado como empresário do jogo no Rio de Janeiro e apontado como líder de um braço local do grupo.
Henrique Vorcaro é apontado pelos investigadores como o responsável por demandar os serviços dos dois núcleos e efetuar os pagamentos pelos crimes praticados — entre eles, coação, vazamento de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos. Ele é um dos sete alvos de mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão cumpridos nesta quinta.
Henrique Vorcaro foi preso durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero, que cumpriu mandados simultâneos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Na véspera da operação, o ministro André Mendonça havia prorrogado a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro — sinal de que o cerco à família seguia se fechando no STF.
Uma semana antes, a 5ª fase da Compliance Zero havia prendido Felipe Cançado Vorcaro e mirado o senador Ciro Nogueira, consolidando o avanço das investigações sobre o círculo familiar do banqueiro.
