A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (12) a Operação Castratio no Rio de Janeiro e interceptou o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) no Aeroporto Santos Dumont enquanto ele se preparava para embarcar rumo a Brasília.
O parlamentar é investigado por suspeita de integrar esquema de fraudes em licitações, peculato e lavagem de dinheiro envolvendo contratos com a empresa Consuvet — Soluções em Saúde Animal — firmados com o governo estadual do Rio.
Agentes cumpriram 12 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro Flávio Dino, do STF, em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo.
A Consuvet fechou contratos de quase R$ 200 milhões com o governo do Rio entre 2021 e 2023, dos quais R$ 35 milhões já haviam sido pagos. Para a PF, a empresa não tinha sequer estrutura compatível com a dimensão dos primeiros acordos firmados.
Empresa criada três meses antes dos contratos
A Consuvet foi fundada apenas três meses antes de fechar os acordos milionários, segundo apuração do RJ2. O comprovante que apresentou para demonstrar capacidade de prestação do serviço foi emitido 17 meses antes de a empresa sequer existir — e o registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária só foi obtido após a assinatura do contrato.
Figura central do esquema, segundo a Polícia Civil, é Antônio Emílio Santos. Antes da licitação, ele ocupava o cargo de diretor administrativo e financeiro da Secretaria de Agricultura do Rio e foi quem autorizou a abertura do processo que culminou na contratação da Consuvet. Pouco depois, tornou-se sócio da empresa.
A investigação aponta ainda que aditivos contratuais aumentaram de forma significativa os valores repassados à Consuvet sem qualquer justificativa técnica. A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio já haviam identificado indícios de superfaturamento e direcionamento antes da ação federal.
O papel de Queiroz na secretaria
O ministro Flávio Dino destacou em sua decisão que Queiroz ocupava a Secretaria de Agricultura justamente no período em que as fraudes licitatórias teriam se iniciado em favor da Consuvet. Assessores do então secretário também são apontados como integrantes do grupo investigado.
Mesmo após deixar o cargo para assumir o mandato de deputado federal, o parlamentar teria mantido vínculos com membros do esquema, segundo a PF. Na operação desta terça, agentes apreenderam o celular de Queiroz no aeroporto e recolheram dinheiro em espécie na sede da secretaria, em Niterói, e em endereço em São Roque (SP).
Trajetória política
Queiroz iniciou a carreira em 2012 na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Passou pela secretaria municipal de Administração, foi eleito deputado estadual em 2018 e depois assumiu as secretarias estaduais de Meio Ambiente e de Agricultura. Em 2022, elegeu-se deputado federal pelo PSDB-RJ. A investigação tramita no STF em razão do foro privilegiado que o cargo parlamentar confere.
