Política

CNJ investiga desembargador do Paraná suspeito de receber quadriciclo de R$ 62 mil como propina

Construtora Zoller apresentou depoimento de loja e notas fiscais como indícios do suposto esquema em 2024
Fachada do CNJ investigando caso de desembargador TJPR acusado de propina em Curitiba

Uma construtora de Curitiba denunciou ao CNJ que um desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná recebeu um quadriciclo avaliado em R$ 62,5 mil como suposto pagamento por reverter decisões anteriores em um processo judicial.

O Pedido de Providências da Construtora Zoller contra o desembargador Francisco Carlos Jorge chegou ao órgão em 28 de abril. A acusação é sustentada por nota fiscal em nome do filho do magistrado e pelo depoimento do administrador da loja onde o veículo foi adquirido.

O CNJ confirmou a abertura de procedimento na Corregedoria Nacional de Justiça para apurar as suspeitas, mas pediu mais informações antes de qualquer conclusão.

Segundo a petição, assinada pela advogada Maria Tereza Uille — ex-conselheira do CNJ por dois mandatos (2017–2021) e ex-secretária de Justiça do Paraná —, o suposto pagamento ocorreu dois dias após um julgamento na 17ª Câmara Cível do TJ-PR que reverteu decisões anteriores favoráveis à Zoller.

Como o quadriciclo teria sido comprado

A construtora afirma que, no dia 2 ou 3 de outubro de 2024, o advogado Michel Guerios Netto — recém-contratado pela parte adversária — foi a uma loja de Curitiba e escolheu um modelo vermelho de quadriciclo. O veículo foi pago em dinheiro vivo por um terceiro, com nota fiscal de R$ 52 mil.

Depois, o filho do desembargador teria ido à mesma loja e trocado o modelo vermelho por um azul mais caro, pagando a diferença de R$ 10,5 mil. Uma nova nota fiscal, no valor total de R$ 62,5 mil, foi emitida em nome do filho do magistrado — documento que a empresa usou para vincular documentalmente o veículo à família do juiz.

O advogado Michel Guerios Netto nega ter ido à loja ou escolhido o quadriciclo. Em nota, classificou as alegações como “caluniosas” e afirmou que os documentos apresentados têm “conteúdo falso” fabricado. Ele anunciou medidas judiciais, inclusive na esfera criminal.

A disputa que originou as suspeitas

O processo remonta a 1993, quando a Construtora Zoller foi acionada por atraso no pagamento de aluguéis. Uma das sócias, que era fiadora, alegou que ficou sem ciência das decisões judiciais até 2020 — por erro da Justiça — e pediu a anulação da execução.

A empresa afirma que vencia a ação por unanimidade até que a parte contrária contratou novo advogado e obteve a reversão das decisões em 2024, “ressuscitando” uma dívida calculada em R$ 14 milhões pela parte adversária. A Zoller contesta o valor e sustenta que o montante real é de R$ 288,5 mil.

O TJ-PR, consultado pela reportagem, respondeu apenas que seguirá “todas as recomendações do CNJ”. O desembargador Francisco Carlos Jorge não enviou resposta.

A denúncia chega em momento de intenso debate sobre punições a magistrados. Em março de 2026, o ministro do STF Flávio Dino determinou que o CNJ substitua a aposentadoria compulsória pela perda do cargo — e do salário — como punição máxima disciplinar, decisão que gerou ampla discussão entre juristas e especialistas.

Nos autos do Pedido de Providências, a Corregedoria notificou a Construtora Zoller para apresentar relato cronológico detalhado e documentos comprobatórios. O órgão também pediu informações ao desembargador Mário Luiz Ramidoff, que era relator do processo antes de Francisco Carlos Jorge assumir o caso.

A Corregedoria Nacional de Justiça, mesma instância que recebeu a denúncia da Construtora Zoller, também investiga outro front de corrupção no Judiciário: um possível esquema de R$ 10,9 bilhões em precatórios irregulares emitidos por juízes federais em Brasília, apurado pela Polícia Federal.

O CNJ ressaltou que não há conclusão sobre a plausibilidade dos fatos e que tanto a alegação sobre o quadriciclo quanto os aspectos da tramitação processual serão “analisados oportunamente”.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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