Saúde

Anvisa simplifica prescrição de cannabis medicinal e libera cultivo para exportação

Nova resolução substitui receituário amarelo por modelo menos restritivo para produtos com baixo teor de THC
Planta de cannabis medicinal com perspectiva da Anvisa para prescrição simplificada regulatória

A Anvisa publicou nesta quarta-feira (13) uma resolução que reduz a burocracia para a prescrição de produtos à base de cannabis com baixo teor de THC e autoriza o cultivo da planta no Brasil exclusivamente para exportação.

Com a mudança, medicamentos com concentração de tetrahidrocanabinol igual ou inferior a 0,2% passam a poder ser prescritos com Receita de Controle Especial — modelo mais simples, já utilizado para diversos outros medicamentos controlados no país.

Até agora, parte dos produtos de cannabis com baixo teor de THC exigia a Notificação de Receita A, o chamado receituário amarelo, reservado a substâncias com controle mais rigoroso, como entorpecentes. A troca reduz etapas para médicos e pacientes e pode ampliar o acesso a tratamentos usados em condições como epilepsia refratária, dor crônica, transtornos neurológicos e doenças raras — embora as evidências científicas variem conforme a doença e o tipo de formulação.

A Anvisa determinou ainda que produtos em circulação com embalagem de tarja preta podem continuar sendo vendidos até o vencimento, desde que o paciente apresente a Receita de Controle Especial correspondente.

Cultivo para exportação

A norma autoriza o plantio da Cannabis sativa L. com teor de THC de até 0,3% — limite associado às variedades com baixo potencial psicoativo — para fins exclusivamente comerciais voltados ao exterior. Empresas interessadas precisarão comprovar estimativas de exportação por meio de contratos ou documentos de intenção de compra, venda e distribuição.

A decisão ocorre no contexto da regulamentação definida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que estabeleceu critérios para o cultivo de variedades de cannabis com baixo teor de THC no país.

O mercado de cannabis medicinal cresceu de forma acelerada no Brasil nos últimos anos, impulsionado pelo aumento das autorizações para importação e pela entrada de produtos regularizados pela própria Anvisa.

A resolução atualiza também as regras relacionadas à importação e exportação desses produtos, alinhando os procedimentos a normas sanitárias já existentes da agência. A medida expande o escopo do marco regulatório brasileiro, que passa a contemplar não apenas o uso terapêutico interno, mas também a produção voltada ao mercado externo.

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