O chefe do grupo de trabalho humanitário da ONU afirmou à AFP, nesta segunda-feira (11), que o mundo tem apenas algumas semanas para evitar uma catástrofe alimentar sem precedentes.
O alerta veio de Jorge Moreira da Silva, diretor executivo da UNOPS, e aponta um risco direto: se os carregamentos de fertilizantes não conseguirem cruzar o Estreito de Ormuz em breve, até 45 milhões de pessoas poderão mergulhar na fome e na inanição.
Moreira da Silva lidera o grupo de trabalho criado especificamente para prevenir uma crise humanitária de grandes proporções. Em entrevista à AFP, ele foi direto: “Poderíamos presenciar uma crise que mergulharia mais 45 milhões de pessoas na fome e na inanição.”
O elo entre o conflito e o prato de comida
Ormuz é o principal corredor de escoamento de fertilizantes para mercados da África e da Ásia. Com o estreito instável em razão do conflito no entorno do Irã, as rotas de abastecimento agrícola global ficam comprometidas — e as consequências chegam ao campo meses depois, na forma de colheitas menores e preços mais altos.
O alerta não é inédito no setor. Semanas antes, o CEO da Yara, um dos maiores fabricantes de fertilizantes do planeta, já havia alertado que o bloqueio poderia eliminar 10 bilhões de refeições semanais — projeção que agora ecoa diretamente no número citado pela ONU: 45 milhões de pessoas à beira da fome. Leia a reportagem sobre o alerta da Yara.
O cenário é agravado pela instabilidade diplomática na região. O alerta da ONU surge poucos dias após o Irã declarar o estreito liberado para navegação — mas a fragilidade do acordo deixa o escoamento de fertilizantes ainda suspenso por um fio. Veja o que disse o Irã sobre a liberação de Ormuz.
Para países da África Subsaariana e partes da Ásia que dependem dessas importações para sustentar a produção agrícola, um colapso no fornecimento de insumos pode comprometer safras ainda em 2026 — com efeitos que se estenderiam pelos próximos meses.
Pressão por solução urgente
A UNOPS, liderada por Moreira da Silva, tem atuado junto a governos e organismos internacionais para garantir que os carregamentos sigam seu curso. A janela de atuação, contudo, está se estreitando. Segundo o próprio diretor, as próximas semanas serão decisivas para determinar se o mundo consegue evitar uma das crises alimentares mais graves dos últimos anos.