A Mosaic, multinacional americana de fertilizantes, anunciou que vai reduzir a produção em fábricas no Brasil por falta de enxofre, matéria-prima essencial para os adubos fosfatados usados no plantio de soja, milho, trigo, café, arroz, hortaliças e frutas.
A escassez tem origem na guerra no Oriente Médio, que prejudicou o transporte marítimo no Golfo Pérsico — principal região exportadora do insumo — elevando custos e dificultando a chegada do enxofre ao país.
Segundo a Mosaic, a companhia ainda não consegue prever quando a situação será normalizada. A retomada da produção plena depende de quatro fatores: queda nos preços internacionais do enxofre, retomada das cadeias globais de suprimento, reabertura das rotas marítimas internacionais e evolução do conflito no Oriente Médio.
Insumo estratégico para o agronegócio
O enxofre é matéria-prima central na fabricação de adubos fosfatados, usados em larga escala nos plantios de soja, milho, trigo, café e arroz, além de hortaliças e frutas. Qualquer redução na oferta do insumo tende a pressionar o custo de produção agrícola no Brasil, um dos maiores consumidores mundiais de fertilizantes.
Não é a primeira vez que o conflito no Oriente Médio afeta cadeias de suprimento essenciais para o Brasil. Semanas antes, o mesmo bloqueio nas rotas do Golfo Pérsico já ameaçava o abastecimento de medicamentos no país, que importa cerca de 90% de seus insumos farmacêuticos da China e da Índia.
Com o cenário de guerra ainda indefinido, o setor de fertilizantes brasileiro segue refém das rotas marítimas internacionais, já que o país depende fortemente da importação de enxofre para sustentar a produção de adubos fosfatados usados nas principais culturas de exportação.
