Economia

Guerra no Irã ameaça abastecimento de fertilizantes no Brasil

Setor pede R$ 2 bilhões ao governo para evitar alta de preços e queda na safra 2026/27
Mapa do Estreito de Ormuz e Lula ilustram subsídio fertilizantes guerra Irã no Brasil

A indústria brasileira de fertilizantes negocia com o governo federal um subsídio de R$ 2 bilhões por três meses para evitar o desabastecimento de adubos causado pela guerra no Irã.

O foco da proposta é o enxofre, insumo cujo transporte global foi afetado pelo bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, informou a Mosaic, líder do setor no país, à Reuters.

Por que o enxofre travou a cadeia de fertilizantes

Cerca de 60% da produção mundial de enxofre, matéria-prima dos fertilizantes fosfatados, escoa pelo Estreito de Ormuz, via marítima que sofre interrupções desde o agravamento da guerra no Irã. Como o Brasil importa por volta de 90% dos adubos que consome, a interrupção do fluxo global pressiona diretamente os preços e a disponibilidade no mercado interno — vulnerabilidade que já era apontada em análises de abril, quando a dependência externa do país chegava a 88%.

Segundo Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic no Brasil e Paraguai, o mercado nacional de fertilizantes deve cair de um recorde de 49 milhões de toneladas em 2025 para uma faixa entre 42 milhões e 45 milhões de toneladas neste ano. A companhia já havia hibernado unidades de produção de fosfatados no país por falta de enxofre, medida detalhada na redução de produção anunciada em julho.

Risco para a safra 2026/27

Monteiro alertou que a economia na aplicação de adubos, resultado dos custos mais altos, pode comprometer a produtividade da safra de soja e milho 2026/27, cujo plantio começa em setembro. O cenário se soma ao menor poder de compra dos produtores, que enfrentam margens reduzidas, crédito restrito e juros altos.

As importações brasileiras de fertilizantes já recuaram 10% no acumulado do ano até julho e 50% em agosto, reflexo da retração da demanda diante dos preços elevados. Para Monteiro, a ausência do subsídio pode gerar um rombo de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões nas contas públicas — para cada real investido na subvenção, o setor estima perdas de 10 a 15 reais em caso de omissão.

O tema é discutido em uma “sala de situação” que reúne os ministérios da Agricultura, Minas e Energia, Casa Civil e Fazenda, mas ainda sem definição sobre o subsídio. Mesmo que o conflito termine rapidamente, o executivo estima que a normalização da oferta pode levar até 12 meses, já que outros fornecedores, como China e Rússia, também restringem exportações — a russa, inclusive, afetada por ataques ucranianos a suas instalações.

A pressão sobre o abastecimento global já preocupa o setor fora do Brasil: em maio, o CEO da Yara chegou a projetar que até 10 bilhões de refeições semanais poderiam deixar de ser produzidas no mundo por falta de fertilizantes, dimensão que ajuda a explicar a urgência do pedido brasileiro.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Guerra no Oriente Médio pressiona fertilizantes e ameaça preço da comida no Brasil

Guerra EUA-Irã ameaça 25% das exportações brasileiras de frango

Petróleo ultrapassa US$ 100 e guerra no Irã pressiona combustível no Brasil

China restringe exportações de fertilizantes e pressiona agronegócio brasileiro

Brasil fecha acordo com Turquia para exportar agronegócio sem Ormuz

Conflito no Oriente Médio trava exportações de café e pimenta capixabas