O dólar inicia a terça-feira (12) em alta de 0,21%, cotado a R$ 4,90, com investidores monitorando dois relatórios de inflação simultâneos — o IPCA de abril no Brasil e o CPI de abril nos Estados Unidos.
O IBGE confirmou que a inflação oficial recuou para 0,67% no mês, mas o acumulado em 12 meses subiu para 4,39% e os alimentos seguem como principal vetor de pressão sobre o bolso do consumidor brasileiro.
No exterior, a tensão entre Donald Trump e o Irã se intensifica: o presidente americano classificou a resposta iraniana como “inaceitável” antes de embarcar para Pequim, onde se reunirá com Xi Jinping.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou nesta terça que o IPCA recuou de 0,88% em março para 0,67% em abril — alívio mensal que não impede o acumulado de 12 meses de seguir em alta, agora em 4,39%, contra 4,14% no mês anterior.
A mesa do brasileiro ainda sente mais o impacto: alimentação e bebidas subiram 1,34% e responderam, junto com saúde e cuidados pessoais (+1,16%), por cerca de 67% de toda a inflação de abril. Os demais grupos foram menos pressionados — habitação avançou 0,63%, vestuário 0,52% e transportes registraram alta discreta de 0,06%.
Petrobras lucra R$ 32,7 bi e aprova dividendos
O balanço do primeiro trimestre de 2026 da Petrobras também pauta o mercado nesta sessão. A estatal registrou lucro de R$ 32,7 bilhões — queda de 7,2% na comparação anual, mas mais do que o dobro do resultado do quarto trimestre de 2025.
A valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, somada ao crescimento da produção e das vendas de diesel e gasolina, sustentaram os números da companhia. A Petrobras aprovou ainda o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos aos acionistas, o equivalente a R$ 0,70 por ação.
Quando o Brent superou US$ 111 no início do mês e as projeções de inflação acumulavam revisões seguidas para cima, o primeiro trimestre da Petrobras já estava sendo moldado — o lucro divulgado agora reflete exatamente esse cenário.
Há apenas quatro dias, o dólar chegou a R$ 4,91 aliviado por uma trégua entre EUA e Irã que parecia prestes a se consolidar como acordo formal — agora, com Trump classificando a resposta iraniana como “inaceitável” antes de viajar para Pequim, o otimismo se dissipa. Entenda como o dólar reagiu à trégua naquele dia.
Teerã pediu o fim do conflito e garantias contra novos ataques. Trump, por sua vez, disse que a resposta é inaceitável e seguiu viagem para a China, onde se reúne com o presidente Xi Jinping — encontro que também está no radar dos investidores globais.
Bolsas asiáticas fecham mistas
As bolsas da Ásia encerraram a sessão de terça com desempenho dividido, refletindo a cautela dos investidores diante da reunião Trump-Xi Jinping. Na China, Xangai recuou 0,25% e Hong Kong cedeu 0,22% após altas recentes. O Japão avançou 0,52%, enquanto a maior queda da sessão ficou com a Coreia do Sul, cujo índice Kospi perdeu 2,29%.
No Brasil, o Ibovespa inicia o pregão às 10h em um cenário de dupla atenção: os dados domésticos do IPCA e os números do CPI americano de abril, que podem influenciar as decisões de juros do Federal Reserve e, por consequência, o câmbio global.
