Economia

Compass estreia na B3 e encerra jejum de quase cinco anos sem IPOs

Empresa de gás da Cosan captou R$ 3,2 bilhões a R$ 28 por ação e chega à bolsa avaliada em R$ 20 bilhões
Pregão B3 marcando primeiro IPO em cinco anos, com profissional monitorando cotações

A Compass, braço de gás e energia da Cosan, abriu seu capital nesta segunda-feira (11) na B3 sob o código PASS3 — encerrando um hiato de quase cinco anos sem ofertas públicas iniciais na bolsa brasileira.

A companhia fixou o preço das ações em R$ 28, no piso da faixa estimada de até R$ 35, e a operação totalizou R$ 3,2 bilhões — resultado da ampliação da oferta original de R$ 2,5 bilhões diante da demanda dos investidores.

A empresa estreia na bolsa com valor de mercado estimado em R$ 20 bilhões.

Quem vende e quem coordena a oferta

Entre os vendedores estão a própria Cosan, que reduz sua participação de 88% para 77,25%, e fundos como Atmos, Brasil Capital, além de Bradesco Vida e Previdência e o grupo Bússola. O movimento integra uma estratégia da controladora para reduzir seu endividamento.

O BTG Pactual lidera a coordenação da oferta, com participação de Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP, BNP Paribas e UBS BB. A operação foi restrita a investidores profissionais — fundos, bancos e instituições financeiras.

O que faz a Compass

A empresa atua em distribuição, infraestrutura e comercialização de gás natural no Brasil. Seu principal ativo é a participação na Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país, com operações concentradas em São Paulo.

A Compass também detém participações em Sulgás (RS), Compagás (PR), MS Gás e SCGás, e opera o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), no Porto de Santos — infraestrutura que importa gás natural liquefeito (GNL) em navios e o converte para abastecimento do mercado nacional.

A rede soma cerca de 28 mil quilômetros, atende 3,1 milhões de clientes e distribui 14,4 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Desde 2020, os investimentos da companhia somaram R$ 15 bilhões. Ao fim de 2025, o patrimônio líquido era de R$ 7,43 bilhões e a capitalização total ajustada chegava a R$ 25,36 bilhões.

Por que a bolsa ficou quase cinco anos sem IPOs

O último IPO na B3 havia ocorrido em setembro de 2021, quando a empresa de insumos agrícolas Vittia abriu seu capital — a 45ª abertura daquele ano, segundo dados da própria B3. O intervalo foi causado, em grande parte, pela disparada dos juros no Brasil: a taxa Selic chegou a 15% ao ano, o maior patamar em cerca de duas décadas.

Com a renda fixa oferecendo retornos elevados e menor risco percebido, muitos investidores se afastaram do mercado acionário. A preocupação com as contas públicas reforçou o ambiente adverso para novas aberturas de capital.

A retomada deu seus primeiros sinais em janeiro deste ano, mas no exterior: o banco digital PicPay realizou um IPO na Nasdaq e levantou cerca de US$ 434 milhões com a oferta de aproximadamente 22,9 milhões de ações.

Agora, com a Selic em 14,5% ao ano e perspectiva de queda — o mercado projeta 13% ao fim de 2026 e 11% ao fim de 2027 —, o ambiente começa a se reabrir para novas operações. As incertezas do tarifaço de Donald Trump e dos conflitos no Oriente Médio ainda pesam, mas não foram suficientes para deter a estreia da Compass.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Compass protocola pedido de IPO na CVM e busca vaga no Novo Mercado da B3

Compass estreia na bolsa para socorrer Cosan de crise bilionária

Ações da Cosan caem após anúncio de capitalização bilionária

Cosan firma acordo com BTG e Perfin para captar até R$ 10 bilhões em ações

SpaceX estreia na Nasdaq avaliada acima de US$ 2 trilhões no maior IPO da história

Credores aprovam reestruturação da Raízen com aporte de R$ 3,5 bi da Shell