O governo britânico confirmou nesta quinta-feira (7) dois novos casos de hantavírus entre cidadãos do Reino Unido e identificou um terceiro caso suspeito ligado ao surto do navio de cruzeiro MV Hondius, incluindo ocorrências na ilha de Tristão da Cunha.
Nenhum dos britânicos afetados apresenta sintomas no momento, segundo comunicado conjunto da Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido, do Ministério da Saúde e do Ministério das Relações Exteriores. Todos seguem sob monitoramento.
O MV Hondius navega rumo a Tenerife, nas Ilhas Canárias, com chegada prevista para o domingo (10). Passageiros britânicos sem sintomas serão repatriados em voo fretado pelo governo e deverão cumprir 45 dias de isolamento ao chegar ao Reino Unido.
Surto ultrapassa as fronteiras do navio
Dois dias depois de o governo das Ilhas Canárias recusar publicamente a entrada do MV Hondius, Tenerife tornou-se o destino confirmado para quarentena e repatriação dos passageiros — uma reviravolta que acelerou a resposta internacional.
Enquanto isso, casos suspeitos de hantavírus surgem em pacientes da França, da Holanda e de Singapura que não estiveram a bordo do cruzeiro. As autoridades investigam um voo em Joanesburgo, na África do Sul, como possível ponto de transmissão externa ao navio.
Outra pista investigada é o desembarque de aproximadamente 40 passageiros na ilha de Santa Helena após a primeira morte a bordo. Desses, 29 não retornaram ao navio. A Oceanwide Expeditions havia informado apenas que a viúva de um passageiro holandês deixara a embarcação com o corpo do marido — omitindo que outros também desembarcaram.
As três mortes a bordo
O primeiro óbito foi de um homem que desenvolveu sintomas em 6 de abril e morreu a bordo em 11 de abril. Como os sintomas lembravam outras doenças respiratórias e nenhuma amostra foi coletada, o hantavírus foi inicialmente descartado.
Sua esposa desembarcou em Santa Helena, piorou durante um voo para Joanesburgo e faleceu em 26 de abril. Amostras testadas pelo Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul confirmaram a infecção por hantavírus.
A terceira morte foi a de uma passageira de origem alemã que apresentou sintomas em 28 de abril e faleceu em 2 de maio, também com a doença confirmada.
Há menos de uma semana, a OMS classificava o risco do surto como baixo e descartava razões para pânico; agora, com casos confirmados em múltiplos países e suspeitos fora do navio, o cenário mudou radicalmente. A organização confirmou nesta quinta-feira cinco novas infecções entre passageiros e mantém um especialista a bordo do MV Hondius até a chegada em Tenerife.
A ilha de Tristão da Cunha — onde autoridades britânicas identificam agora dois casos confirmados e um suspeito — foi visitada pelo navio logo após a primeira morte a bordo, num período em que passageiros relataram que a tripulação não ativou qualquer protocolo de contenção.
No voo de repatriação fretado pelo governo britânico, especialistas em saúde pública e doenças infecciosas acompanharão os passageiros para garantir medidas de controle sanitário. As autoridades holandesas ainda não confirmaram onde estão os passageiros que desembarcaram em Santa Helena, enquanto governos da África do Sul e da Europa rastreiam contatos de quem deixou o navio antes da quarentena formal.
